Não será a tempo desta época balnear, mas a ministra do Ambiente confirmou ontem, em Faro, que o Governo irá intervir no núcleo do Farol, na ilha da Culatra, para repor areais e reparar infraestruturas.
A situação do núcleo do Farol foi discutida durante a reunião final do Grupo de Trabalho para as Ilhas-barreira da Ria Formosa, presidida por Maria da Graça Carvalho, na segunda-feira, 25 de maio.
Aos jornalistas, a ministra do Ambiente e Energia confirmou que o Governo irá intervir naquele núcleo bastante afetado pela erosão costeira e pelas tempestades do último inverno. «Há obras para as quais é preciso fazer estudos e projetos de execução, que é o caso deste», afirmou.
A governante explicou que a complexidade técnica da operação obriga a definir previamente a origem dos sedimentos, a tecnologia a utilizar e os procedimentos ambientais necessários.
«É um processo complexo. Tem de se ver de onde é que se vai buscar a areia e também definir a tecnologia. É capaz de ter de ser por draga. Portanto, precisa de projetos, de estudo de impacto ambiental e só depois se passa à execução.»
Segundo Maria da Graça Carvalho, a futura intervenção não ficará limitada à simples reposição de areia. «É um projeto integral daquilo que é preciso fazer e do que foi destruído no litoral. Está a ser preparado para começar talvez no fim do ano».
Câmara de Faro quer ajudar a acelerar projeto
Por sua vez, António Miguel Pina, presidente da Câmara Municipal de Faro, mostrou-se disponível para ajudar a acelerar a intervenção no Farol.
«A reposição da areia é um processo de alguns milhões e que requer estudos de impacto ambiental. A Câmara dispôs-se a fazer uma parte do trabalho para ser mais célere, que é a parte do projeto, para depois entregar à Agência Portuguesa do Ambiente (APA)», entidade responsável pela intervenção.
O autarca admitiu que a dimensão dos trabalhos poderá ser superior à intervenção realizada há cerca de uma década pela Sociedade Polis Litoral Ria Formosa, porque «a situação é pior do que aquela que existia».
Feliciano Júlio, presidente da Associação da Ilha do Farol desde 2010, congratula-se com a decisão da tutela e considera fundamental recuperar um molhe secundário que ajudava a proteger os areais. «Antes de fazer a recarga de areias, há que fazer a reposição daquele molhe lateral, que faz a proteção das areias do Farol até aos Hangares».
Segundo o dirigente associativo, essa preocupação foi transmitida diretamente à ministra e ao presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA). Para Feliciano Júlio, é «desnecessário gastar mais dinheiro sem também contemplar a reposição dessa estrutura, para que as areias se possam aguentar mais tempo».
«Mas vai ser equacionado. Iremos enviar também o nosso projeto e as fotografias antigas que temos connosco», acrescentou.
Culatra reclama reposição no cordão dunar
Sílvia Padinha, presidente da Assembleia Geral da Associação de Moradores da Ilha da Culatra (AMIC), afirmou aos jornalistas que a necessidade de reforço do cordão dunar também foi abordada durante os trabalhos.
A dirigente admite, contudo, que a intervenção dificilmente acontecerá durante a presente época balnear. «Não será para este verão. Será para o próximo. Mas é necessário fazê-lo», disse.
Padinha defendeu ainda que as dragagens na Ria Formosa devem ser articuladas com a reposição de sedimentos nas zonas mais vulneráveis.
«Sempre defendemos: dragar sim, mas repor no cordão dunar». Segundo explicou, a acumulação de areia em vários canais da Ria Formosa está também a criar problemas ambientais, ao nível da oxigenação e renovação das águas nos viveiros de bivalves, e também da navegação.
«Os barcos de pesca saem do Porto de Pesca de Olhão e têm de dar uma volta três vezes maior quando têm um canal ali mesmo à frente para entrar no oceano», disse, referindo-se à Barra do Lavajo.
Padinha defendeu ainda a existência de uma draga permanente na Ria Formosa para atuar nas zonas de acumulação de areia e evitar o agravamento destes problemas.