Iniciou-se na música, no 5º ano de escolaridade, praticando flauta na Escola Secundária da Bemposta, em Portimão, direcionada para o ensino artístico. Colocou-se entre os melhores alunos da disciplina e o pai recompensou-o, oferecendo-lhe uma viola. Diz-se dono de um excelente ouvido, conseguindo captar com facilidade as músicas que ouve e repetí-las quase de imediato.
barlavento – E porquê a escolha do fado?
Mário Pacheco – Há cerca de três anos, teve início a Escola de Fado do Boa Esperança e comecei a ir às aulas para aprender a tocar melhor viola. Depois, comecei a participar nas noites de fado. Quando já sabia um pouco mais, começaram a surgir convites. Comecei a acompanhar como único viola, ao fim de ano e meio. Agora, tenho algum trabalho e estou como residente no Boa Esperança, em Portimão, nas noites de fado.
Há imensos fados, e os fadistas cantam nos mais diversos tons. Os músicos têm de saber tocar de ouvido e acompanhá-los corretamente, certo?
Temos de saber tocá-los nos 12 tons.
Isso não causa dificuldades?
Causa mais na guitarra portuguesa. Na viola, para mim, é relativamente fácil. Basta começar no tom que me pedem. Como faço sempre o mesmo «desenho», basta-me continuá-lo a partir dali.
Ainda bem que fala na guitarra portuguesa, porque sei que já toca alguns temas nesse instrumento. Há quanto tempo começou?
Há dois ou três meses.
Pelo que tenho visto e ouvido, a guitarra portuguesa é um instrumento difícil e de longa aprendizagem. Contudo, ao fim de tão pouco tempo, já arrisca acompanhar um ou outro tema…
Sim, faço o acompanhamento mais básico. Dizem que tenho bom ouvido e penso que é verdade. Ainda há pouco, ouvi um fado, gostei da «malha» da introdução, fui experimentá-lo na guitarra e quase que saiu bem, logo à primeira. O ouvido ajuda muito.
Vocês acompanham imensos amadores, muitos dos quais cortam compassos. Como é que lidam com essas situações?
É relativo. Há aqueles que cortam sempre da mesma maneira e, como o sabemos, já estamos preparados. Piores são aqueles que umas vezes cortam, outras vezes cantam certo, na próxima, cortam outra vez… nunca sabemos o que fazer. Temos de estar muito atentos e prestar atenção à respiração do fadista, ver o tempo que ele leva a respirar, se vai cortar um compasso ou meio compasso, para entrarmos no tempo certo.
Continua a estudar música na escola?
Sim. Estou no curso de instrumentista de jazz, como baixista.
Nas noites de fado, faz parelha com o Manolito, um dos professores da Escola de Fado e que é excelente executante em vários instrumentos: acordeão, teclas, viola de fado, guitarra portuguesa. Esta experiência ajuda a evoluir?
Estou a aprender sozinho a guitarra portuguesa. Na viola, ajuda-me, até nos intervalos das atuações, com indicações sobre as várias opções que posso usar, apontando e corrigindo erros que eu tenha cometido. Mas a pessoa que mais me tem ajudado, na viola e não só, foi o meu primeiro professor de viola de fado, Agostinho Reis, que se tem revelado um grande amigo.
Quais são as tuas referências como músicos de fado?
O normal seria ouvir os mais velhos. Mas gosto de contrariar e ouvir os mais novos, porque já ouviram os antigos, evoluíram e poupam-me trabalho. Atraem-me mais. Na guitarra portuguesa, Custódio Castelo, José Manuel Neto, Luís Guerreiro, Ângelo Freire. Na viola, Diogo Clemente e Bernardo Viana, entre outros.
Pensas fazer carreira como músico de fado?
Sem sombra de dúvida. Está decidido que é a vida que pretendo. Quero ir a Lisboa, talvez no verão, a algumas casas de fado, para me integrar no ambiente e aprender mais. Conhecer os músicos pessoalmente, embora seja amigo deles no facebook.
Na guitarra portuguesa ou na viola?
Tocar bem qualquer dos instrumentos já é difícil; mas os meus sonhos são logo em grande e gostaria de tocar bem os dois.