Feira da Serra de São Brás ocupa ruas, largos e praças do centro da vila com entrada gratuita, música, gastronomia e artesanato.
A Feira da Serra de São Brás de Alportel adota um novo formato que leva o certame para o centro da vila, entre os dias 24 e 26 de julho. A edição de 2026 tem entrada gratuita e integra 17 espaços temáticos, cinco palcos, gastronomia, artesanato, animação e áreas dedicadas à mobilidade, sustentabilidade, inovação e juventude.
Ao longo dos três dias, os visitantes poderão assistir a concertos de Luís Trigacheiro, Raya Real, A Kind of Queen – Tributo aos Queen, Remember, Super Pop e Sniffy Covers Band, entre outros artistas e projetos regionais. A programação inclui ainda espetáculos de música, dança e folclore, animação itinerante, performances de rua e iniciativas culturais distribuídas pelos cinco palcos.
Pela primeira vez, ruas, largos e praças do centro urbano transformam-se num percurso contínuo ligado à Feira. Entre os espaços previstos estão a Aldeia Serrana, o Encontro de Sabores, o Serra Tech, o Espaço Mobilidade, o Espaço Ambienta-te e a Street Área, que inclui o Palco Jovem.
A edição contempla também zonas destinadas às crianças, ao artesanato, aos produtores locais e a outras atividades distribuídas pelo centro da vila. A nova configuração procura integrar lojas, restaurantes, cafés e outros estabelecimentos no percurso dos visitantes.
A presidente da Câmara Municipal de São Brás de Alportel, Marlene Guerreiro, afirmou, na conferência de imprensa de apresentação, no dia 13 de julho, que a decisão de manter a Feira num formato diferente «não foi fácil». Segundo a autarca, a organização procurou conservar os elementos que os visitantes mais valorizam e dar ao comércio local um papel central.
«Depois da decisão, o desafio foi conservar a alma da Feira, perceber aquilo que os visitantes mais valorizam, garantindo que o evento continua a reunir os seus ingredientes essenciais. Queremos a nossa Feira fiel às nossas raízes e à nossa gente», referiu.
Marlene Guerreiro destacou ainda a participação dos produtores locais, artesãos, mestres dos ofícios tradicionais, associações e artistas. «Esta não é uma feira do antigamente. É uma feira do presente e do futuro», declarou.
A mudança de formato está também relacionada com a necessidade de reforçar o investimento municipal na recuperação da rede viária, em especial da Estrada Municipal 1202, afetada pelas intempéries. Nesse sentido, o município decidiu reduzir o investimento na Feira da Serra para canalizar recursos para a reparação dos acessos utilizados pelas populações da serra.
«Entre defender a Serra, adiar a reparação de uma estrada de que as pessoas dependem todos os dias e ajustar o formato de um evento, a escolha foi clara. As prioridades de um município medem-se nos momentos difíceis, e a nossa prioridade são as pessoas», explicou Marlene Guerreiro.
A autarca acrescentou que «ajustar não é desistir» e garantiu a continuidade do certame com a identidade que lhe é reconhecida. A presidente da Câmara agradeceu ainda aos municípios do Algarve e do Baixo Alentejo que disponibilizaram equipamentos e materiais para a realização da Feira. Este apoio permitiu reduzir os custos da organização.
A vereadora Mónica Inácio, membro da comissão organizadora responsável pela logística, reconheceu que a instalação do evento no centro urbano representa um desafio operacional. A responsável admitiu a possibilidade de constrangimentos na circulação automóvel, mas assegurou que foram preparadas medidas para reduzir os impactos junto de residentes, comerciantes e visitantes.
Segundo Mónica Inácio, uma das oportunidades do novo formato está na valorização do comércio local, que passa a integrar o percurso da Feira e poderá beneficiar da presença dos milhares de visitantes esperados.
Já o vice-presidente da Câmara, Pedro Ornelas, explicou que a organização definiu como objetivo realizar a edição de 2026 com cerca de um quinto do orçamento habitual. O investimento não deverá ultrapassar os 150 mil euros.
A redução das despesas abrangeu estruturas, logística e programação artística. De acordo com Pedro Ornelas, vários artistas aceitaram atuar gratuitamente ou reduzir os seus cachets, enquanto empresas e marcas patrocinadoras reforçaram o apoio ao evento.
Também presente na apresentação, o presidente da Assembleia Municipal de São Brás de Alportel, Vítor Guerreiro, considerou que a decisão do executivo municipal foi «um ato de coragem» e defendeu a importância económica, social e turística da Feira para o concelho e para a região.
A edição de 2026 mantém a promoção dos produtos locais, da gastronomia, do artesanato, dos ofícios tradicionais e da identidade da Serra do Caldeirão. A entrada gratuita é uma das novidades e pretende incentivar os visitantes a regressarem durante os três dias.


