A produção de azeite em Portugal deverá subir este ano quase 15% em relação ao ano passado e atingir as 170 mil toneladas, estima a maior associação nacional do sector, responsável por 120 mil toneladas.
Em declarações à agência Lusa, Susana Sassetti, diretora executiva da Olivum – Associação de Olivicultores e Lagares de Portugal, indicou que esta estimativa é feita com base na produção dos associados da organização.
Os olivicultores e lagares da Olivum, salientou, produziram, «no ano passado, à volta das 105 mil toneladas» de azeite e a produção apurada na campanha deste ano «foi de 120 mil toneladas», correspondendo a um aumento de cerca de 15%.
«De acordo com a percentagem que representávamos na produção do ano passado, que era mais ou menos de 70%, prevemos que a campanha nacional deste ano ande à volta das 170 mil toneladas», adiantou a responsável.
Segundo a diretora executiva da Olivum, citando dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), a produção nacional de azeite na campanha de 2024 tinha atingido as 150 mil toneladas.
«Esta percentagem [da representação da produção dos associados da Olivum em termos nacionais] pode não corresponder à realidade», pois «muitos novos olivais foram plantados e entraram em produção», advertiu.
Questionada pela Lusa sobre se o aumento da quantidade produzida em Portugal pode fazer descer o custo do azeite, Susana Sassetti esclareceu que «o preço não depende da produção nacional», sendo «definido por Espanha, o maior produtor a nível mundial».
«Se Portugal anda à volta das 150 mil ou das 200 mil toneladas, em Espanha há anos que chega a 1,4 milhões de toneladas», comparou, lembrando que as campanhas mais recentes no país vizinho tiveram produções mais baixas, devido à seca, fazendo disparar os preços.
Assinalando que, este ano, «Espanha volta a ter a produção que normalmente costuma ter», a diretora executiva da Olivum observou que o preço tem vindo a baixar, mas «não voltará ao nível em que estava há quatro ou cinco anos».
Quanto à campanha deste ano, Susana Sassetti realçou que «a produção de azeitona foi maior do que a do ano passado», mas, «em termos do rendimento em azeite, ou seja, a transformação da azeitona em azeite, acabou por ser igual à do ano passado, por causa das condições climatéricas».
«Foi uma campanha que começou mais cedo do que normalmente costuma começar e originou bons azeites», apesar de, na parte final, ter havido «alguma chuva e calor ao mesmo tempo, o que não é bom e favorece o surgimento de doenças ou pragas nos olivais», acrescentou.
Com sede em Beja, a Olivum é uma associação de olivicultores e lagares e foi constituída em 2013 para dar respostas a novas questões da cultura do olival, incluindo a necessidade da defesa e representatividade do sector, na altura quase inexistente.
Esta associação representa mais de 50 mil hectares de olival, 20 lagares e cerca de 70% da produção nacional de azeite.
Portugal é o sexto maior produtor olivícola mundial e o quarto europeu.