João de Brito e Nuno Preto são os protagonistas da peça «Romeu e Romeu» que estreia hoje, quinta-feira, dia 15 de outubro, às 21h30, no pequeno auditório do Teatro das Figuras, em Faro.
«Quiseremos pegar nesta obra de Shakespeare, que tem temas muito fortes, para refletir sobre o que é isto do amor e quem o matou», explica ao barlavento João de Brito, que além de interprete é também cocriador do texto original da peça.
Em palco, a dupla de atores revisita conceitos como o amor familiar, a amizade, o amor entre pares e até, o amor entre géneros iguais.
«Brincamos com o amor num sentido mais conservador e também com uma mente aberta num mundo que queremos mais plural e igualitário. Dividimos este tema em subcategorias e tornamos o texto numa espécie conferência», que vai interpelando e desafiando o público a refletir e a dar repostas aos atores, numa interação espontânea e inesperada.
Outro aspeto interessante é o facto de o elenco usar o nome próprio e não se posicionar em nenhuma das personagens do clássico da literatura «Romeu e Julieta».
Espetáculo criado para todos os públicos, começou a nascer num «processo pós-confinamento» em junho. Os ensaios decorreram em agosto. «Foram cerca de dois meses de trabalho para criar o texto todo de raiz», contabiliza João de Brito.
Na próxima semana o coletivo algarvio apresentará «Romeu e Romeu» no ACASO Festival Internacional de Teatro, o evento de artes cénicas e performativas mais antigo e de maior duração da região de Leiria e Santarém e que este ano celebra 25 anos.

Depois será exibido na programação do na primeira edição do SINGULAR – Ciclo de criação artística pluridisciplinar, em Castelo Branco, o novo projeto/festival de programação da Terceira Pessoa. Passará também por Lisboa.
A peça é uma coprodução entre o Lama Teatro, o Teatro das Figuras, o Cineteatro Louletano e o Teatro de Vila Real, onde será apresentado em 2021.
Questionado sobre o impacto da pandemia nos colegas profissionais da cultura, João de Brito manifesta-se solidário e preocupado «sobretudo pelos freelancers que são quem tem mais dificuldades cada vez que um trabalho é cancelado».

Em relação ao 2021, o objetivo do grupo é aproximar a recém-inaugurada sede do LAMA «da comunidade farense e não só. Para o ano, a ideia é torná-lo num espaço de mediação cultural, com espetáculos para a infância e juventude, e também para adultos sempre com uma componente formativa e de criação de novos públicos».
O LAMA Teatro é uma estrutura financiada pela Direção-Geral das Artes/República Portuguesa e apoiada pelo município de Faro.


