Habitação, educação e água concentram 60% do investimento municipal de Lagos em 2026, num orçamento de 128,6 milhões, com forte peso de projetos PRR.
O município de Lagos aprovou, no penúltimo dia de dezembro, as Grandes Opções do Plano (GOP) para 2026, com um orçamento global de 128.674.060 euros, o que representa um aumento de cerca de 3% face ao ano anterior, mais 4,2 milhões de euros em termos absolutos.
Habitação, Educação e Água concentram o maior volume de despesa, absorvendo cerca de 60% do Plano Plurianual de Investimentos (PPI) previsto para 2026 e 30% do total da despesa, com destaque para projetos financiados pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).
A habitação assume-se como a principal área de investimento, com 17,3 milhões de euros em 2026 e 46,7 milhões até 2031. No ensino não superior, o município prevê aplicar 11,5 milhões de euros este ano, num total de 25,8 milhões até 2031, enquanto o abastecimento de água absorve 9,7 milhões de euros em 2026, perfazendo 27,5 milhões até 2031.
O documento define as prioridades estratégicas da governação municipal para o período 2025–2029, assentes no princípio de não deixar ninguém para trás, afirmando a política local como instrumento de proteção, inclusão, desenvolvimento e criação de oportunidades. Em paralelo, a autarquia garante o equilíbrio orçamental a que está obrigada e mantém o pacote fiscal nos níveis mais favoráveis às famílias e às empresas.
A dignidade habitacional surge como o primeiro princípio estruturante, num contexto de forte pressão no mercado da habitação. A estratégia municipal assenta na Estratégia Local de Habitação, na Carta Municipal de Habitação e no investimento público direto. Entre as medidas previstas estão a continuidade das empreitadas de construção iniciadas no mandato anterior, que permitirão acrescentar 231 fogos de arrendamento ao parque habitacional municipal, a conclusão do loteamento das Caliças e a aprovação de um modelo para a construção de várias centenas de fogos a custos controlados para venda. O plano inclui ainda a reabilitação de empreendimentos municipais mais antigos, a criação de uma unidade de habitação colaborativa no âmbito da empreitada dos 104 fogos em construção na Chesgal e o lançamento de uma residência temporária destinada a profissionais de áreas estruturantes para o concelho.
O segundo princípio centra-se na coesão social e igualdade de oportunidades, com a manutenção do investimento na Rede Social concelhia, envolvendo instituições particulares de solidariedade social, associações e serviços públicos, numa abordagem articulada e preventiva.
A saúde e o bem-estar constituem o terceiro eixo prioritário, com uma aposta numa visão integrada da saúde. Destacam-se a construção da Unidade de Ambulatório de Alta Resolução, a valorização das Unidades de Saúde Familiar, a promoção da atividade física e os programas de educação alimentar.
A educação, juventude, cultura, património e desporto formam o quarto princípio, com intervenções como a conclusão da obra de reabilitação e ampliação da EB 2/3 das Naus, o projeto de ampliação da Escola Tecnopolis, os estudos para reforço da rede escolar do pré-escolar e 1.º ciclo, a retoma das obras de ampliação do Museu de Lagos – Núcleo Dr. José Formosinho e a conclusão do projeto do Parque de Saúde e Bem-estar.
O quinto princípio assenta no desenvolvimento económico, com foco na inovação, sustentabilidade e valorização do tecido empresarial local. O plano aposta num turismo mais equilibrado ao longo do ano, articulado com a cultura, o desporto, a natureza e a identidade local, bem como na inovação tecnológica, na ligação às universidades, na dinamização de espaços de coworking e incubação e no apoio às empresas.
A proteção do território, da natureza e do clima constitui o sexto eixo estratégico. Entre as intervenções previstas estão a qualificação da rede viária, o reforço dos espaços verdes, a adaptação climática, o investimento em energias renováveis e a melhoria da mobilidade.
O plano inclui projetos de regeneração urbana em várias zonas da cidade, a implementação da terceira fase do Parque do Anel Verde, o projeto do Passeio Marítimo da Meia Praia (segunda fase) e medidas de eficiência hídrica, como a reutilização de águas tratadas na ETAR e a requalificação dos sistemas de rega.
O sétimo princípio incide sobre a governança democrática e participada, com investimentos na ampliação dos serviços digitais, na acessibilidade multicanal e na retoma do Orçamento Participativo.
Este conjunto de princípios estrutura a visão política do município para o período 2026–2029 e reflete o alinhamento da ação municipal com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).