Eram quatro horas da madrugada em ponto, na noite de sábado para domingo, quando Jorge Matos Dias, 56 anos, olhou para o telemóvel depois de ouvir um barulho no exterior da sua casa. «Um ruído. Um som metálico. Mas como tenho gatos achei normal».
Durante a manhã não reparou em nada diferente. Não havia sinais de arrombamento ou algo revirado. No entanto à tarde quando decidiu fazer limpezas e reparou que o portátil tinha desaparecido. «À noite comentei com um amigo que tinha sido assaltado e que tinham levado o meu portátil. Reparei que apesar da minha janela ter uma grade e uma barra a reforçar a proteção, que essa barra tinha caído. Era o som que ouvi durante a madrugada. E o computador estava a apenas um metro de mim enquanto dormia!», recorda.
O amigo alertou-o da ocorrência de um outro assalto junto à sua casa. Pensou imediatamente que se tratava do mesmo assaltante e que ainda poderia recuperar o portátil, pelo que apresentou uma participação à GNR na manhã de segunda-feira, dia 21 de setembro. «Comuniquei que o assaltante tinha passado primeiro pela minha casa antes de se dirigir à casa dos meus vizinhos ingleses», Jill e Trevor Taylor.
As autoridades confirmaram que tinham de facto encontrado um portátil no relvado exterior da residência, pelo que se confirma que se tratava do mesmo assaltante.
Dias descreve a zona de vivendas como «calma». Uma rua sem saída, residencial e «com muito pouco movimento». O casal de ingleses e o filho habitam na moradia ao longo de todo o ano e «recebem visitas com frequência. São gente boa que gostam de receber família e amigos».
Refere ainda que os meios de comunicação social tentaram falar com o casal inglês mas que este chamou a GNR para dispersar os jornalistas, afirmando que não estão disponíveis para prestar quaisquer declarações. «Não querem acampamentos à porta. Estão em pânico».
Entretanto, uma fonte policial que acorreu ao local do crime nessa madrugada afirmou que o assaltante foi agarrado não por dois, mas pelos três elementos da família que lhe «fizeram um garrote com o braço à volta do pescoço». Ao contrário do que os jornais têm avançado, quando a família ligou para a GNR, o assaltante já se encontraria morto.
O «barlavento» sabe também que no domingo de manhã a família recebeu apoio psicológico no hospital de Faro e que estes não sofreram nenhum ferimento.
Dias descreve-os como «cordiais, pacíficos e boa gente» à qual deseja «que consigam ultrapassar da melhor forma possível tudo isto».
O assaltante, Paulo Brito, de 35 anos, era também conhecido por ‘Bombinho’. Era cabo-verdiano e residia em Quarteira. Estaria a atuar sozinho e não estava armado. Sabe-se que teria as chaves de um carro de marca «Jaguar» no bolso.
Ao que o «barlavento» apurou, os familiares do assaltante ainda se chegaram a dirigiram à casa onde ocorreu o crime, e que a família inglesa teme alguma vingança por parte destes.
O assaltante possuía antecedentes criminais por assalto a residência e era conhecido pelas autoridades. Teria sido libertado da prisão há relativamente pouco tempo.
Os cidadãos ingleses poderão agora ser acusados de homicídio por terem morto um assaltante em flagrante na sua própria residência.
Apenas a autópsia poderá determinar as causas de morte, no entanto, especula-se que terá sido por asfixia.
Pai e filho já foram ouvidos pela PJ e constituídos arguidos. O Ministério Público irá em breve decidir se serão ou não acusados.