A Juventude Popular (JP) de Faro defendeu a reativação urgente do Conselho Municipal da Juventude (CMJ) e propôs a criação de um Passe Farense destinado aos jovens do concelho.
Numa posição assinada pelo presidente da estrutura concelhia, Diogo Serra, a JP considera que o Conselho Municipal da Juventude (CMJ) deve assumir um papel permanente na participação dos jovens nas decisões do município.
A organização partidária reconhece a criação da Assembleia Municipal da Juventude como «um sinal positivo», por reunir jovens do concelho para debater a realidade local, mas considera que esta iniciativa não substitui o Conselho Municipal da Juventude.
Segundo a JP, o CMJ é «o único órgão consultivo permanente» previsto na Lei n.º 8/2009, de 18 de fevereiro, com competências para acompanhar e influenciar diretamente as políticas municipais dirigidas à juventude.
A estrutura afirma que o conselho foi formalmente criado, mas permanece sem atividade pública visível. A JP diz ainda não conhecer registos públicos recentes de convocatórias ou pareceres emitidos pelo órgão e pede uma resposta à Câmara Municipal de Faro.
Para a organização, a ausência de um conselho ativo reduz a representatividade e a eficácia de instrumentos como os planos municipais de juventude e os orçamentos participativos jovens.
A JP compara a situação de Faro com a de Loulé, Lagos e Portimão, municípios onde afirma que os respetivos conselhos municipais da juventude funcionam com regularidade. Na posição divulgada, a estrutura questiona diretamente o executivo municipal, perguntando «como se explica que a autoproclamada “capital do Algarve” fique para trás precisamente na participação democrática dos seus jovens».
A estrutura partidária dirige ainda críticas ao executivo socialista, que acusa de apresentar compromissos para a juventude sem os converter em medidas e dinâmicas permanentes.
Em comunicado, a JP considera que «continuar a chutar este órgão para canto não significa apenas adiar uma reunião», acrescentando que tal opção significa «adiar ideias, desperdiçar talento e afastar uma geração inteira da participação cívica».
A par da reativação do conselho, a JP propõe a criação do Passe Farense.
A medida permitiria aos jovens do concelho utilizar gratuitamente os transportes públicos municipais e entrar nos museus municipais, além de proporcionar benefícios e descontos em atividades culturais, recreativas e desportivas.
Segundo Diogo Serra, a proposta pretende ajudar Faro a atrair e fixar estudantes e jovens, criando condições para que possam viver, trabalhar e desenvolver os seus projetos no concelho.
«Promover a participação juvenil é um investimento, e não um custo», sustenta o presidente da JP de Faro, para quem «uma cidade que tapa os ouvidos aos jovens dificilmente conseguirá construir um solo fértil para entregar frutos às gerações futuras».