O encontro serviu para refletir a realidade socioeconómica da região em 2015 e apresentar esta nova estrutura que quer ser «provedora» do Algarve. «Esta não é mais uma associação. O nosso papel é muito claro, positivo e proativo. Não desafiamos o poder. Mas vamos denunciar os grandes problemas e propor soluções perante as entidades públicas», sublinhou José Vitorino, quando questionado sobre o papel e a origem da «Algfuturo- União pelo Futuro do Algarve».
«As associações que já existem, cada uma tem o seu objeto social e trabalha numa lógica sectorial», o que as limita de ter «uma perspetiva integrada e globalizante» dos entraves à «sustentabilidade» da região. Com duplo CAE de associação empresarial e sociocultural, a nova estrutura «assume-se como provedora do Algarve, um contraponto aos poderes de Lisboa e de Bruxelas».
Outro aspeto inovador é o «Serviço de Informação Total aos Aderentes (SITA). Propomos dar resposta a questões de fiscalidade, direito de trabalho e de família, direito civil, cobrindo uma panóplia vasta de matérias para informar os associados, e apoiar a sua atividade», explicou. O SITA terá dois quadros superiores a tempo inteiro e, se necessário, recorrerá ao voluntariado dos sócios e à consultadoria externa.
Vitorino diz ainda que vão ser abertos à opinião pública, através das redes sociais, 19 Guiões sobre «temas que estão no vazio», em termos de soluções. Vão desde os fundos comunitários ao desemprego jovem. E se os poderes não aceitarem as propostas? «Bem, terão que dizer quais são os caminhos possíveis para o Algarve sair deste marasmo e desta situação gravíssima». Das portagens que «são um garrote e uma injustiça», à exploração de hidrocarbonetos – «uma bomba atómica potencial» -, «à complexidade extrema» das candidaturas aos fundo comunitários que fazem as empresas desistir, não faltaram críticas e situações «que é preciso inverter e corrigir».
Ainda em jeito de balanço, e apesar de 2015 ter sido um bom ano turístico, Vitorino usou dados do INE para chamar várias vezes a atenção para as consequências dependência neste sector. «Entre 2007 e 2014, contrariamente ao que se ouvia, a sazonalidade agravou-se em termos relativos e absolutos. Em 2015, fazendo as projeções dos três meses que ainda faltam, fica ao nível de 2007. A média das dormidas, nos oito meses de época baixa, é cinco a seis vezes inferior à média nos quatro meses de época alta». «Este é o quadro que temos e por aqui se vê o muito que há a trabalhar», concluiu. O próximo passo da «Algfuturo – União pelo Futuro do Algarve» é a eleição dos corpos gerentes antes do final deste ano.
Preocupação com os empresários de Albufeira afetados pelas cheias
A «Algfuturo- União pelo Futuro do Algarve» acompanhou a situação das cheias que afetaram a baixa de Albufeira, no passado dia 1 de novembro, e tornou pública a sua posição, reclamando, nomeadamente, apoios a fundo perdido para os empresários e «implementação de soluções técnicas para o curso das águas a partir das zonas a montante».
Contudo, «desde então, com frequência o assunto tem sido falado e com várias visitas oficiais. Pelo que tem vindo a público e continuada auscultação e constatação pela União pelo Futuro do Algarve,é oportuno fazer um balanço do que de essencial se tem passado, que se pode resumir em: três louvores e uma censura».
Para a comissão instaladora desta nova associação, liderada por José Vitorino, merecem louvores «a decisão da Agência de Promoção de Albufeira em manter as festas da passagem de ano, com a correspondente execução das obras de recuperação pela autarquia; a decisão da Câmara avançar com as dispendiosas mas estratégicas obras de fundo a montante, para regularizar o curso das águas e evitar que desaguem na baixa da cidade quando há cheias; e finalmente, o estoicismo dos empresários afetados para recuperar o máximo do seu património, apesar de não saberem como vão resistir».
Já digno de «censura» é o «facto de passados quase dois meses de muitas palavras pelas entidades oficiais, os empresários do comércio, restauração e bares terem sido deixados para o fim, na prática quase esquecidos. Por um lado, até hoje nenhuma enidade se comprometeu com os mais que justificados fundos perdidos. Por outro, mesmo outros apoios menos importantes e que poderão inviabilizar a atividade de forma sustentada, continuam uma incógnita e com muitos atrasos. Perante o tão negro quadro para os empresários,a Algfuturo apela aos poderes públicos para assumirem com espírito solidário e de justiça as suas responsabilidades e reequacionem para os empresários soluções com componentes a fundo perdido, para que as atividades possam prosseguir, tudo com absoluta urgência».