Na Costa Vicentina o bodyboard já é uma tradição, porque há ondas excelentes para a prática da modalidade, durante todo o ano. Basta correr as praias para descobrir onde se encontra a melhor ondulação e, por vezes, mudar de spot ao longo do dia, de acordo com os ventos e marés. «É o melhor local na Europa para a prática do bodyboard».
Não admira que Joana Schenker, a mais velha das quatro filhas do casal alemão, tenha começado a fazer bodyboard com os amigos de escola, aos 13 anos. «Saltava de desporto em desporto. Quando descobri o bodyboard, foi de vez. Apaixonei-me pela modalidade. Havia um grupo local muito coeso e que já competia, a minha integração foi natural e comecei a competir, passado um ano». No segundo ano, foi campeã nacional de esperanças e não mais parou de acumular triunfos.
Sobre o panorama nacional feminino em bodyboard, a Joana disse-nos que «Portugal é um país forte na modalidade. Já tivemos muitas campeãs da Europa e várias campeãs mundiais. Não somos muitas, cerca de vinte e cinco, mas somos atletas de peso, a nível mundial».
Sobre a dificuldade em viver da alta competição, em Portugal, explicou que «no início, tive a ajuda dos meus pais. Depois, aos poucos, fui conseguindo mais e melhores patrocínios. Também dou aulas numa escola que abri com o meu namorado e que já se transformou na Associação de Bodyboard de Sagres. E faço alguns trabalhos temporários, porque não estou cá durante metade do ano e torna-se difícil ter um emprego estável».
Disse-nos ainda que os patrocínios melhoraram nos últimos dois anos. No corrente ano, a Câmara Municipal de Vila do Bispo, que «tem sido o meu maior apoio, ao longo dos anos, aumentou consideravelmente o meu budget, deixando-me mais confortável. Pela primeira vez, vou fazer o circuito mundial completo».
Segundo a atleta, fazer o circuito mundial na íntegra, com provas no Brasil, Chile, Japão, Porto Rico e Portugal, custa 12 mil euros, porque «somos poupadinhos. Vamos no mesmo carro, não usamos hotéis, alugamos uma casa para todos, cozinhamos. Temos de nos desenrascar».
Joana Schenker era vegetariana desde os 10 anos de idade. Recentemente, tornou-se vegana. «Desde que mudei, sinto-me muito melhor, mais forte, mais resistente. O veganismo veio ajudar-me na competição. Embora a principal razão de ter aderido ao veganismo tenha mais a ver com o meu modo de ver o mundo. Não quero comer animais, nem explorá-los em nada. E é bom para o colesterol, a diabetes, para tudo».
Para quem está a ver, o bodyboard é esperar por uma onda e cavalgá-la, deitado numa prancha, fazendo piruetas. E para quem está em competição? Joana Schenker explicou-nos que «é uma prova de consistência. É necessário focar mentalmente. Temos de tomar decisões acertadas ao longo daqueles vinte minutos. Temos de entrar em sintonia com o mar, escolher a melhor onda, porque só podemos apanhar 10, sendo contabilizadas as duas melhores. O importante é apanhar duas boas. E controlar os adversários, pois competimos 4 de cada vez, sendo muito tático. Quando se possui a técnica das manobras, conseguimos tirar o melhor partido da onda, porque vamos fazer a movimentação adequada à mesma: tubos, piruetas no ar, entre outras manobras». Sendo uma mistura luso-germânica, a atleta diz ser simplesmente «algarvia».
Sagres Sem Álcool apoia Joana Schenker
Carlos Mata, presidente do Conselho de Administração da Fundação do Desporto, e Nuno Pinto Magalhães, head of corporate affairs da Sociedade Central de Cervejas e Bebidas, formalizaram um protocolo de apoio a Joana Schenker, na quinta-feira, 5 de maio, no Forte de Beliche, em Sagres. A cerimónia servirá para celebrar um financiamento entre a «Sagres Sem Álcool», através da Fundação do Desporto, com a praticante de bodyboard campeã da Europa, que está a tentar obter, este ano, um lugar no Top 10 do Campeonato do Mundo.
A iniciativa da Fundação do Desporto, neste caso, com o apoio da marca nacional, insere-se na «Medida de Apoio a Jovens Talentos Desportivos». Além deste apoio, a cerimónia servirá também «para colocar na agenda todos os aspetos determinantes para o desporto nacional, como a conjugação de uma carreira desportiva com as vida académica e profissional (Carreiras Duais), a conciliação entre um projeto desportivo (dimensão competitiva e social), a sua articulação com o projeto de vida, a sponsorização, o trabalho colaborativo e de responsabilidade partilhada entre as diferentes entidades», esclarecem os responsáveis pela iniciativa. Nesta sessão estará também presente o presidente da Federação Portuguesa de Surf que apresentará o projeto desportivo daquela organização, onde pontuam os Centros de Alto Rendimento e a possibilidade da modalidade integrar o programa olímpico para 2020.
Triunfos mais importantes
3x Campeã Nacional de Júniores – 2003, 2004, 2005;
3x Campeã Nacional da Alemanha – 2002, 2003, 2004;
3x Vice-campeã Nacional – 2004, 2009, 2010;
Campeã da Europa de Júniores – 2004;
2x Vice-campeã da Europa – 2009, 2010;
3x Campeã Nacional – 2013, 2014, 2015;
2x Campeã da Europa – 2014, 2015;
4º lugar no Nazaré Pro APB World Tour – 2015;
Medalha de Bronze no Campeonato do Mundo de Bodyboard – 2015;
Em 2016, venceu as duas provas em que participou, Figueira da Foz e Costa da Caparica.