Nestes últimos cinco anos assistiu-se ao nascimento de uma nova era na luta contra o cancro. Estamos a falar da Imunoterapia, por muitos considerada como o «quarto pilar» contra o cancro, contando com a cirurgia, a quimioterapia e a radioterapia.
A Imunoterapia funciona com um mecanismo de ação totalmente diferente dos dois últimos, pois usa anticorpos que não vão afetar diretamente as células tumorais, mas sim o sistema imune, ativando o ataque de células malignas, através das nossas defesas. Em certo sentido, segue um princípio formulado por Hipócrates já há mais de dois mil anos atrás: «o nosso corpo contém a cura para tudo».
Ao contrário da quimioterapia que necessita de uma administração cíclica e por vezes quase crónica, como no caso de doença metastática, a Imunoterapia já permitiu a cura de vários pacientes com melanoma avançado em apenas quatro administrações (ex. ipilimumab). Estas curas desenvolveram-se como respostas prolongadas; permanecendo ao longo do tempo graças à memória imunológica que o nosso organismo possui.
Em Portugal temos uma taxa de incidência de melanoma de nove novos casos ano por 100 mil habitantes, sendo considerado um tumor raro de pele, que representa um total de 10 por cento dos casos de tumores de pele, mas com uma mortalidade elevada. Nos estádios avançados de melanoma, o prognóstico de vida aos cinco anos era até agora entre 10 a 22 por cento. Contudo, a chegada destes novos fármacos promete uma mudança muito positiva destas percentagens.
Temos duas grandes categorias de moléculas e, por conseguinte, de anticorpos, que podem ser utilizados para manter a elevada atividade do sistema imunitário. O primeiro a ser desenvolvido foram os anticorpos contra CTLA-4 (eg ipilimumab tremelimumab) e posteriormente os anticorpos dirigidos contra a DP-1 ou o seu receptor PDL-1. Estas moléculas, estão a permitir um aumento de respostas e de sobrevida substanciais no tratamento do melanoma, e mais recentemente do pulmão.
Quando em maio de 2015, Jimmy Carter (ex-Presidente dos Estados Unidos da América) foi diagnosticado com melanoma maligno com metastização cerebral e hepática, foi-lhe dada uma expetativa média de seis a 12 meses de vida. No entanto, o seu oncologista iniciou uma nova medicação: pembrolizumab que havia recentemente sido aprovada pela Food & Drug Administration (FDA), a agência governamental reguladora dos produtos alimentares e do medicamento, entre outros naquele país. E, aproximadamente, seis meses após o início desta terapêutica, Carter declarou que se encontrava livre de doença, algo quase impensável até há bem pouco tempo para este tipo de condição. Nos ensaios que levaram à aprovação deste fármaco, as taxas de sobrevivência entre os pacientes com melanoma avançado, a cada duas semanas, foram bons: 74 por cento de pacientes vivos após um ano.
Claro que o progresso da terapia deverá manter-se de mãos dadas com a prevenção, o rastreio e a deteção precoce. Cremos contudo, que estes próximos anos prometem mudar o jogo na luta contra o cancro para alguns pacientes, alterando passo a passo o curso e o desfecho destas doenças.
O HPA possui uma equipa qualificada na abordagem multidisciplinar dos tumores e no seguimento destas novas terapias. Conta com uma equipa multidisciplinar nas áreas da oncologia médica, dermatologia, cirurgia e radiologia, que permanentemente se articula no tratamento destes pacientes.
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