O departamento de Medicina Hiperbárica do Hospital Particular de Alvor já conta com um ano desde a sua abertura. Apesar da sua jovialidade, o serviço já atendeu mais de 50 doentes e já realizou mais de 600 sessões. A maioria das condições dividiu-se entre acidentados de descompressão por mergulho, doentes diabéticos e as suas complicadas feridas, condições súbitas de surdez ou de cegueira, intoxicações por monóxido de carbono, entre outras.
A Medicina Hiperbárica utiliza o oxigénio puro em ambiente hiperbárico como terapia, ou seja, o oxigénio é administrado a uma pressão superior à pressão do nível do mar, sendo o tratamento realizado num equipamento especial chamado câmara hiperbárica. Este aumento de oxigénio nos tecidos favorece todos os processos da cicatrização, sobretudo em tecidos hipóxicos, como é o caso das úlceras diabéticas.
A câmara, a única existente a sul de Lisboa, é do tipo multi-place com capacidade para sete pacientes em simultâneo. A pensar nos casos mais críticos, encontra-se equipada com um ventilador e um sistema de monitorização de sinais vitais, similares aos que se encontram em unidades de cuidados intensivos. Aliás, o Hospital de Alvor já fez utilização deste equipamento, ao assistir um doente que estava em ventilação assistida e numa maca. Outra das vantagens que em concreto este equipamento possibilita.
A pensar no conforto dos pacientes, a câmara possui também um sistema de ar condicionado e um sistema de entretenimento vídeo e rádio, tornando o tratamento uma experiência agradável.
Ao entrar na câmara, o doente é submetido ao aumento da pressão no interior deste espaço, e é-lhe fornecida uma máscara para a inalação do oxigénio a 100 por cento. As sessões têm uma duração média de 110 minutos e contam com o apoio de um enfermeiro, no interior da câmara, e de um médico que faça a monitorização dos tratamentos no seu exterior. A pressurização é realizada por um técnico especialista, estando sempre, no mínimo, estes três profissionais a acompanhar este processo.
Este tipo de terapia começou por ser utilizado no tratamento das doenças de descompressão dos mergulhadores, mas hoje tem uma aplicação muito alargada. Por exemplo, os resultados nas feridas do pé diabético têm-se revelado fantásticos.
Aliás, o serviço já atendeu situações crónicas, com muito tempo de evolução e cuja resolução foi total. Um desses desfechos felizes vai mesmo ser apresentado no 1º Congresso Nacional do Pé Diabético, que terá lugar nos próximos dias 14 e 15 de outubro. Outra situação de ferida que responde muito bem a esta terapêutica é a ferida causada por radioterapia. Também já foram tratadas situações deste tipo com resultados surpreendentes.
As primeiras utilizações terapêuticas de oxigénio por via respiratória remontam ao século XVIII, apesar de só no século XX ter ocorrido a sua introdução na prática clínica, com bases científicas rigorosas. Foram necessários muitos estudos para se compreender que o oxigénio inalado no seu estado puro e em ambiente hiperbárico, possui a capacidade de um fármaco com múltiplas propriedades: anti-isquémico, anti-hipóxico, anti-edematoso, pró-cicatrizante e anti–infecioso, neste último caso com um comportamento de verdadeiro antibiótico.
Espaço Saúde do Hospital Particular do Algarve