Moradores do núcleo dos Hangares, na Ilha da Culatra, boicotaram as eleições autárquicas em protesto pelo «abandono».
Dezenas de pessoas concentraram-se, em protesto pacífico, ao início desta manhã, em frente à mesa de voto no núcleo da ilha da Culatra, em frente à Escola Básica.
José Lezinho, presidente da Associação de Moradores dos Hangares, justificou ao barlavento a manifestação.
«As pessoas estão chateadas porque temos 95 residentes no núcleo que ainda hoje não têm água nem luz, apesar de passar tudo (infraestruturas) à nossa porta. Continuamos sem ter condições», disse.
Os problemas já foram por várias vezes apresentadas à Câmara Municipal de Faro que «empurra» responsabilidades para o Ministério do Ambiente e da Ação Climática e do ministro João Pedro Matos Fernandes. «Dizem que é ele que tem de resolver».
Além da falta de água canalizada, de saneamento básico e de eletricidade, aquele núcleo sofre da falta crónica de transportes públicos, já que a carreira entre o território continental e a ilha da Culatra não faz paragem nos Hangares.
«As pessoas estão muito desiludidas e acham que foram abandonadas. Não temos nada. Queremos retirar os telhados de amianto e não podemos, dizem-nos que somos multados se o fizermos. Dizem-nos não a tudo», queixa-se.
Por isso, os habitantes dos Hangares também disseram não aos votos e contaram com a solidariedade de outros ilhéus dos núcleos da Culatra e Farol. «Todos decidiram não votar», assegura.
O portão da escola básica da Ilha da Culatra foi fechado a cadeado durante a madrugada.
A Polícia Marítima usou uma rebarbadora para cortar o cadeado e abrir a mesa de voto.
Esta não é a primeira vez que se registam incidentes durante atos eleitorais na Culatra, e há um historial de boicotes em prol de melhores condições de vida.

