Greve dos enfermeiros fecha blocos operatórios em vários hospitais e regista 83% de adesão em Lagos e 63% em Faro.
A greve nacional dos enfermeiros registou hoje níveis elevados de adesão em vários hospitais do país, levando ao encerramento de blocos operatórios e de partos, segundo um primeiro balanço do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP).
No Algarve, o Hospital de Lagos registou uma adesão de 83,33% (20 em 24 enfermeiros), enquanto no Hospital de Faro a paralisação atingiu 63% (128 em 203).
A paralisação, que decorre nos turnos da manhã e da tarde, foi convocada pelo SEP em protesto pelo «protelamento da decisão» do Ministério da Saúde sobre várias matérias que, segundo o sindicato, impedem a progressão na carreira dos enfermeiros.
De acordo com os primeiros dados do SEP, às 10h45 registavam-se adesões de 100% em vários serviços e hospitais, como na Unidade Local de Saúde de Viseu Dão-Lafões. Nessa unidade, encerraram a cirurgia de ambulatório dos hospitais de Viseu e Tondela e a unidade de acidente vascular cerebral, tendo sido assegurados os serviços mínimos.
A adesão à greve foi também de 100% no bloco de partos do Hospital do Barreiro e nos blocos operatórios dos hospitais de Setúbal e Garcia de Orta, em Almada.
Os dados apontam ainda para uma paralisação total dos enfermeiros escalados para o turno da manhã nos hospitais de Peniche e Rovisco Pais, na Tocha, concelho de Cantanhede.
Noutros estabelecimentos, a adesão manteve-se igualmente elevada. No Hospital de Abrantes, 92 dos 103 enfermeiros escalados aderiram à greve (89%), enquanto em Tomar a adesão foi de 76% (62 em 82).
No Hospital Dona Estefânia e no Hospital de São José, ambos em Lisboa, a paralisação atingiu 90,83%, com 109 enfermeiros em greve em cada unidade.
No Fundão a adesão atingiu 81,82% (9 em 11). No Hospital da Covilhã, a adesão foi de 68% (68 em 100) e em Castelo Branco de 60,84% (87 em 143).
Algumas unidades apresentaram níveis mais moderados de adesão, como os hospitais de Alcobaça, com 48% (10 em 21), e o conjunto dos hospitais de Aveiro e Águeda, com 50,23% (108 em 215).
O SEP afirma que o Ministério da Saúde assumiu o compromisso de fazer o levantamento de todas as situações decorrentes da contabilização dos pontos até ao final de fevereiro, mas não cumpriu e mantém «a discriminação dos enfermeiros relativamente a outros grupos profissionais».
Entre as reivindicações dos enfermeiros estão a resolução de todas as situações relacionadas com a contabilização dos pontos, incluindo o pagamento de retroativos, e a admissão de mais profissionais. O sindicato alerta que «os constrangimentos impostos pelo Governo vão ter consequências na segurança dos utentes, doentes e profissionais».
Os enfermeiros exigem também a contagem do tempo de serviço prestado em vínculo precário e «a transição para a categoria de Enfermeiro Especialista de todos os titulados que o eram em 2019 e que, de forma discriminatória, uns transitaram e outros não».
Defendem ainda a abertura de concursos de acesso às categorias de Enfermeiro Especialista, de Enfermeiro Gestor e a lugares de direção, bem como a negociação de um sistema de avaliação do desempenho adequado às especificidades da profissão de enfermagem, direcionado para a prática dos cuidados e sem quotas.
Foto: Bruno Filipe Pires