Gonçalo Pinheiro, jovem de Sagres a viver atualmente em Portimão, experimentou uma prancha de bodyboard, pela primeira vez, há 16 anos, embora apenas tenha 20 de existência. Desde então, nunca mais parou, «tendo começado a sério com 8 ou 9 anos». Aos 10 anos, entrou na Escola de Bodyboard do Francisco Pinheiro, em Sagres.
E é mais um exemplo da influência do meio: iniciou-se muito novo, porque o irmão mais velho já era praticante de bodyboard, e também porque é a modalidade que predomina na vila onde a terra acaba e o mar começa.
Campeão nacional em 2007, terceiro em 2008 e 2009, vice-campeão em 2010 e 2012, volta a sagrar-se campeão em 2014. Um palmarés invejável para qualquer atleta. Em 2015, integrou pela primeira vez o circuito mundial, mas não fez as provas todas, ficando em 32º lugar.
No corrente ano, espera fazer o campeonato na íntegra, mas «os apoios são escassos, tornando-se difícil competir a nível internacional. Se pudesse, fazia só bodyboard, mas não vai ser possível, porque não posso viver à custa dos meus pais e os patrocínios não abundam em Portugal. O circuito mundial custa mais de dez mil euros. Este ano, deve rondar os quinze mil», sublinha.
A sua participação no mundial, em 2015, obrigou-o a falhar a participação em duas provas do campeonato nacional e «se falharmos alguma, o ranking final sofre imenso, porque é muito competitivo».
Em boa verdade, Gonçalo Pinheiro está desiludido com o modo como tem sido tratado neste meio. «Já fiz estágio na seleção nacional, mas não fui convocado, porque o processo foi mal gerido. Fartei-me da competição. Já dei muito ao desporto e este não me deu quase nada. Estou desiludido com as contrapartidas, ou melhor, com a falta delas», lamenta.
Por isso, treinou muito pouco durante o Inverno que terminou. «Gosto de surfar ondas boas, mas em competição, temos de enfrentar todas, más inclusive. Viajar é bonito, mas também cansa. E, quando não conseguimos os resultados esperados, como aconteceu no ano passado, torna-se desmotivador. Este Inverno, tem sido só para me divertir. Quis parar e fazer planos para a época, antes de começar a trabalhar. Agora, vou treinar a sério para o mundial».
Gonçalo Pinheiro, no entanto, também quer assegurar o seu futuro profissional de forma mais académica, estando matriculado no ISMAT para uma licenciatura em Desporto, a sua prioridade atual. No futuro, quando deixar de competir, pensa tornar-se treinador, usando quer os conhecimentos práticos acumulados ao longo da carreira, quer a sua formação universitária. «Não tenho muita paciência para treinar iniciados. Prefiro pessoas mais avançadas, às quais posso dar dicas que lhes permitirão obter melhores resultados em competição», admite.
Sobre as provas, Pinheiro deixa claro que o fator psicológico tem grande influência no desempenho da maioria dos atletas.
No entanto, considera-se bastante calmo por natureza e raramente se sente nervoso. As provas do calendário nacional mais propícias a «stress» do que as do circuito mundial. Porquê?
«Nas competições para o campeonato nacional, não há prioridades. Logo, temos de ter atenção a quem está à nossa direita e à nossa esquerda, para ver se não apanham a mesma onda que nós. No mundial, é diferente. Antes de entrarmos na água, recebemos uma licra com uma cor. A pessoa que tem a cor que aparece na placa é a próxima. Não temos de nos preocupar com os outros, mas apenas em escolher a melhor onda», compara.
Questionado sobre a questão da apólices, durante as competições, desconhece se os organizadores das etapas do mundial seguram os atletas contra as lesões que possam contrair durante as provas, mas pensa que não. Apenas faz seguro de viagem, pago pelo pai…