Conselho dos Geoparques Mundiais da UNESCO aprovou a candidatura do Geoparque Algarvensis, que aguarda agora ratificação final em Paris na primavera de 2026.
O Conselho dos Geoparques Mundiais da UNESCO decidiu atribuir, a 5 de setembro, a classificação de «aceite» à candidatura do Geoparque Algarvensis, durante a reunião que decorreu no Kütralkura Geoparque Mundial, no Chile.
Trata-se do penúltimo passo antes da integração oficial na Rede Mundial de Geoparques, que deverá ser confirmada pelo Conselho Executivo da UNESCO em Paris, no próximo ano.
O anúncio foi recebido com entusiasmo pelos promotores da candidatura, que sublinharam tratar-se de «um importante reconhecimento internacional, resultado de anos de trabalho intenso e do empenho das comunidades locais, dos decisores políticos e de toda a equipa envolvida».
O Geoparque Algarvensis agradeceu ainda «a todos os parceiros, instituições, escolas e cidadãos que acreditam neste processo e que diariamente colaboram», assumindo o compromisso de «continuar a trabalhar com dedicação em prol das comunidades, valorizando o património natural e cultural e promovendo um verdadeiro desenvolvimento territorial sustentável».
Os conselheiros da UNESCO destacaram mesmo que o projeto «traz um novo paradigma de desenvolvimento sustentável na região do Algarve».
Um percurso de vários anos
O processo de candidatura do Geoparque Algarvensis à UNESCO teve início em 2020, quando os municípios de Loulé, Silves e Albufeira se uniram para avançar com a criação de um geoparque.
Desde então, foi mobilizada uma vasta rede de parceiros locais, desde escolas a associações culturais, passando por universidades e centros de investigação científica.
Em 2021, a candidatura foi entregue oficialmente à UNESCO, iniciando um ciclo de análise técnica e científica. O projeto desenvolveu relatórios e dinamizou iniciativas no território, com enfoque na educação, no turismo sustentável e na valorização do património geológico.
No verão de 2022, uma missão de avaliadores da UNESCO percorreu o território durante vários dias, reunindo-se com autarcas, investigadores, professores, empresários e população local. Os especialistas destacaram o envolvimento comunitário e o potencial científico do Algarve, embora tenham identificado desafios em termos de consolidação de recursos e gestão.
Um ano depois, em 2023, o relatório dos avaliadores recomendou parecer positivo, remetendo a decisão final para o Conselho dos Geoparques Mundiais da UNESCO. Essa confirmação chegou agora, no Chile, com a atribuição da classificação de «aceite».
Em agosto de 2024, o território recebeu a visita de Guy Martini, presidente do Conselho dos Geoparques Mundiais da UNESCO, e de Artur Sá, coordenador da cátedra UNESCO de «Geoparques, Desenvolvimento Regional Sustentado e Estilos de Vida Saudáveis», da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), que se mostraram confiantes no sucesso da candidatura.
A jazida com 12 pegadas de diferentes dinossauros, entre outras descobertas de calibre mundial, na Praia dos Arrifes, em Albufeira, alavancam a expetativa.
A candidatura do entrou na reta final, depois da visita dos avaliadores Kristin Rangnes e Christophe Lansigu ao território, tal como o barlavento noticiou.
Próximos passos
A ratificação pelo Conselho Executivo da UNESCO, prevista para a primavera de 2026, será o passo decisivo para que o Geoparque Algarvensis integre oficialmente a Rede Mundial de Geoparques. Caso se concretize, o Algarve passará a juntar-se a outros territórios portugueses já classificados, como Naturtejo, Açores, Arouca e Estrela, reforçando o peso de Portugal no mapa internacional dos geoparques.
Foto: Vasco Célio/ STILLS