Filme «Terra Vil», de Luís Campos, estreia no Algarve com sessões especiais em Lagos e Portimão na presença do realizador.
O filme «Terra Vil», primeira longa-metragem de Luís Campos, estreia esta quinta-feira no Algarve com duas sessões especiais com a presença do realizador: às 19h00, no Algarcine Lagos, e às 21h30, no Algarcine Portimão.
Estão ainda previstas sessões únicas no Cineteatro Jaime Pinto (organização do CinemaLua), em São Brás de Alportel, a 2 de março, e no Teatro Municipal António Pinheiro, em Tavira, a 23 de março. Os horários das restantes salas serão divulgados brevemente.
Vinte e cinco anos depois da queda da ponte Hintze Ribeiro, o cinema português regressa às margens do Douro. Rodado em Entre-os-Rios, Castelo de Paiva, Penafiel e Marco de Canaveses, o filme constrói um retrato de ruralidade ribeirinha marcado pela pesca da lampreia, pelas procissões religiosas e pelas festas populares.
A narrativa centra-se em João (William Cesnek), de 12 anos, que vive com o pai António (Rúben Gomes), um homem instável que enfrenta o alcoolismo. Na casa vizinha habitam Teresa (Lúcia Moniz) e as filhas adolescentes Paula (Francisca Sobrinho) e Liliana (Beatriz Relvas), figuras centrais no universo afetivo do rapaz. Os cinco sobrevivem da pesca e venda artesanal de lampreia, até que a seca extrema compromete o sustento e o comportamento errático de António torna a situação insustentável.
O filme não aborda diretamente a tragédia de 2001, mas evoca-a. Luís Campos descreve «Terra Vil» como «um exorcismo necessário» e escreve na nota de intenções que se trata de «um filme que nos fará enfrentar fantasmas nas suas mais diversas formas: os fantasmas da tragédia e das vítimas da queda da ponte Hintze Ribeiro, os fantasmas das nossas figuras parentais que assombram a formação da nossa identidade, os fantasmas de uma ruralidade subdesenvolvida e ostracizada».
«Sobretudo, os fantasmas estruturais que possibilitam uma realidade de violência de género e doméstica — uma questão fundamental e cada vez mais pertinente em Portugal, que tem estado mais ausente do debate público do que se poderia esperar no século XXI. As coisas precisam de mudar», acrescenta o realizador.
Lúcia Moniz, William Cesnek e Ruben Gomes lideram o elenco. O filme rodou também em Matosinhos, Gondomar, São João da Madeira e Vila Nova de Gaia, com música original de Emiliano Mazzenga e fotografia de Pedro Patrocínio.
«Terra Vil» passou pela Mostra de São Paulo, pelo Tallinn Black Nights Film Festival e pelo IndieLisboa — Lisbon Screenings 2025, onde recebeu o Prémio do Júri. O projeto integrou ainda fóruns internacionais como o Brussels Co-Production Forum, o London Production Finance Market e o Thessaloniki Agora, desde 2020.
Luís Campos é doutorado em Media_Artes e participou em programas como o Berlinale Talents, Rotterdam Lab, Locarno Match Me e ACE Producers Mentoring Programme. Trabalhou nas produtoras RT Features, no Brasil, e Savage Film, na Bélgica, antes de fundar a Matiné, em Portugal. As curtas-metragens «Boca Cava Terra» e «Monte Clérigo» receberam o Grande Prémio Nacional do FEST 2023. É também fundador do GUIÕES — Festival do Roteiro de Língua Portuguesa.
«Terra Vil» é produzido pela Matiné em co-produção com a italiana Dispàrte. A produtora conta no palmarés com a curta «Ponto Final», de Miguel Lopez Beraza, distinguida com o Jury Grand Prize no Warsaw International Film Festival 2022.
A 4 de março assinalam-se 25 anos da queda da ponte Hintze Ribeiro, que vitimou 59 pessoas e marcou as comunidades ribeirinhas do Douro.

