Este ano o «Cinema Lençol» conduz o público até à era silenciosa do cinema, mostrará dois grandes clássicos de 1926 e 1927 («Faust» e «Metropolis»), acompanhados, como se fazia à época, com música ao vivo, composta e interpretada por Paula Rocha.
Este ano, o «Cinema Lençol» conduz o público até à era silenciosa do cinema, mostrará dois grandes clássicos de 1926 e 1927 («Faust» e «Metropolis»), acompanhados, como se fazia à época, com música ao vivo, composta e interpretada por Paula Rocha.
O ciclo arranca com dois dos mais importantes filmes do expressionismo alemão, ambos realizados antes da Segunda Guerra Mundial e sem os quais «não teríamos o cinema de hoje», refere a associação em nota enviada hoje às redações.
«Terminaremos o ciclo com uma das obras-primas do cinema, que, influenciado pela estética desta corrente artística, arrebatou o público e os júris passados 50 anos», neste caso, «O Homem Elefante» (The Elephant Man) de David Lynch.
Além das longas-metragens, «apresentaremos também seis curtas-metragens, quatro das quais, pequenos documentários realizados entre os anos 1913 e 1937 em Portugal, importantes registos realizados pelas primeiras produtoras de cinema do país», como é o exemplo da Invicta Film – produtora portuguesa de cinema, sediada na cidade do Porto, cuja atividade se destacou nos anos 1920.
Tal como nas longas metragens deste ano, «juntamos música ao vivo com Daniel Vieira, Tiago de Sousa e Eduardo Pinto. Como na edição anterior, continuaremos a projetar pequenos documentários sobre o património imaterial do Algarve».
Nesta edição, Eduardo Pinto «leva-nos até Alcoutim onde conheceu vários tocadores de instrumentos tradicionais que aceitaram partilhar as suas memórias. Também a recriação do ciclo do pão de centeio, alvo de um projeto de registo documental feito pelo mesmo autor, será partilhada nas noites quentes de agosto».
O convite está feito, todas as sexta-feiras-feiras, dias 1, 8, 15, 22, 29 e sábado, dia 23 de agosto, em diferentes locais de Querença e Salir às 21h00, ao ar livre e com entrada gratuita.
Na primeira sexta-feira-feira, dia 1 de agosto, na Eira da Adega, no Caminho da Barroca, em Querença e depois no dia 15, no largo da Ermida Pé da Cruz, em Salir, projeta-se o filme «Faust» de 1926 de F.W. Murnau, considerado uma das obras maiores do Expressionismo alemão.
Nesta adaptação da popular lenda alemã, «um arcanjo e o diabo fazem uma aposta: o mundo será entregue ao demónio caso este consiga corromper a alma de um homem honesto. O último filme que o realizador produziu na Alemanha, antes de partir para Hollywood. O mesmo realizador do mais conhecido filme de terror, o aclamado Nosferatu (1922), irá continuar a surpreender um século depois pela extravagância estética e poderosa narrativa que impõe nos seus filmes. Ambas as sessões serão musicadas ao vivo pela pianista e compositora Paula Rocha.
Radicada no Algarve, Paula Rocha iniciou a sua formação na Escola de Música do Conservatório Nacional, tendo também frequentado diversos workshops na Fundação Calouste Gulbenkian. Tem desenvolvido trabalhos de composição para teatro, animação, curtas-metragens e dança, tendo atuado para o Teatro Nacional D. Maria II, Canal 1 RTP, CCB entre outros.
«Metropolis» (1927) de Fritz Lang será o segundo filme a ser projetado no lençol na sexta-feira, dia 8 de agosto, na Praça da Fundação Manuel Viegas Guerreiro, em Querença e no sábado, dia 23 de agosto, no largo da Igreja, no Barranco do Velho, em Salir.
«Este mítico filme mudo alemão, considerado o primeiro verdadeiro de ficção científica, tem lugar no ano de 2026 num mundo frio, mecânico e fortemente industrializado. A superpovoada cidade de Metropolis possui duas classes de pessoas: a elite privilegiada e as massas desfavorecidas. Grande parte da classe desfavorecida vive no subsolo para manobrar as máquinas que permitem o funcionamento da cidade onde os privilegiados se divertem nos seus arranha-céus, jardins e estádios. Foi um dos mais caros filmes da sua época. Com uma notável pujança visual em que se destacam os fabulosos cenários, Metropolis influenciou um sem-número de filmes ao longo do tempo, entre os quais se destaca Blade Runner, de Ridley Scott, Star Wars de George Lucas, Batman de Tim Burton e muitos outros», refere a Figo Lampo.
Antes deste grande filme será projetado a curta-metragem «Gago Coutinho e Sacadura Cabral» de 1922, no dia 8 de agosto, musicado ao vivo por Tiago de Sousa e Eduardo Pinto. No dia 23 de agosto, projeta-se «Breves encontros musicais em terras de Alcoutim» (2012), de Eduardo Pinto.
No largo da Ermida de Nossa Senhora do Pé da Cruz, em Querença, na sexta-feira, dia 22 de agosto, o lençol passará «A Máquina de Matar Pessoas Más» de Roberto Rossellini, um filme de comédia onde se observa uma forte influência dos clássicos alemães.
«Graças ao que pensava ser uma revelação do seu santo protetor, o fotógrafo Celestino Esposito descobre que a sua câmara tem um poder especial: um simples clique pode fazer desaparecer os homens maus. Mais tarde, percebe que isso não acontecia devido ao poder do santo, mas sim ao próprio Diabo. Uma fábula sobre a desconfiança no poder da câmara (ou do filme) para reproduzir a vida».
Na sexta-feira, dia 29 de agosto, o cinema continuará a preto e branco, mas agora como opção estética, «O Homem Elefante» de David Lynch será projetado no largo da Igreja Matriz em Querença.
«Esta é a história de um brilhante jovem cirurgião, que encontra num circo vitoriano um homem tão horrivelmente deformado que é condenado a uma vida de degradação como uma aberração. Trata-se de John Merrick, conhecido pelo público dos circos de todo o país. Embora Merrick não possa ser curado, Treves luta para o salvar da sua decadência e oferecer-lhe uma vida de dignidade e conforto», segundo a sinopse.
Baseado numa história verídica, este filme foi nomeado para oito óscares e recebeu mais de cinco prémios.
Esta iniciativa da Associação Figo Lampo é coordenada e produzida por Eduardo Pinto, Paulo Tomé e Verónica Guerreiro. Tem apoio da Câmara Municipal de Loulé, CCDR Algarve, União de Freguesias de Querença, Tôr e Benafim, Junta de Freguesia de Salir, Fundação Manuel Viegas Guerreiro, do Goethe-Institut Portugal e da Cinemateca Portuguesa.
Programação
Dia 1 | 21h00 | Eira da Adega, Caminho da Barroca, Querença
Curta Metragem «O Naufrágio do Veronese», Invicta Film, 1913 | 6 minutos.
Cópia digitalizada pela Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema no âmbito do projecto FILMar, integrado no Mecanismo Europeu de Financiamento EEA Grants 2020-2024.
Acompanhada por música ao vivo, com Daniel Vieira e Tiago de Sousa
Longa Metragem «Faust» (1926) de F.W. Murnau, M/12 | 107 minutos.
Filme acompanhado com música ao vivo pela compositora Paula Rocha
Dia 8 | 21h00 | Praça da Fundação Manuel Viegas Guerreiro, Querença
Curta Metragem «Gago Coutinho e Sacadura Cabral» 1922 | 7 minutos.
Cópia digitalizada pela Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema no âmbito do projecto FILMar, integrado no Mecanismo Europeu de Financiamento EEA Grants 2020-2024.
Acompanhada por música ao vivo, com Tiago de Sousa e Eduardo Pinto
«Metropolis» (1927) de Fritz Lang M/12 | 153 minutos.
Filme acompanhado com música ao vivo pela compositora Paula Rocha
Dia 15 | 21h00 | Ermida Pé da Cruz , Salir
«Centeio» de Eduardo Pinto
Longa Metragem “Faust” (1926) de F.W. Murnau, M/12 | 107 minutos.
Filme acompanhado com música ao vivo pela compositora Paula Rocha
Dia 22 | 21h00 | Largo da Ermida de Nossa Senhora do Pé da Cruz, Querença
«A Benção aos Pescadores de Bacalhau», 1936 | 9 minutos.
Cópia digitalizada pela Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema no âmbito do projecto FILMar, integrado no Mecanismo Europeu de Financiamento EEA Grants 2020-2024.
Acompanhada por música ao vivo, com Tiago de Sousa
«A Máquina de Matar Pessoas Más» (1952) de Roberto Rossellini M/12 | 83 minutos.
Dia 23 | 21h00 | Largo da Igreja – Barranco do Velho – Salir
«Breves encontros musicais em terras de Alcoutim» de Eduardo Pinto
«Metropolis» de Fritz Lang M/12 | 153 minutos.
Dia 29 | 21h00 | Largo da Igreja – Igreja Matriz, Querença
«Tosquia de Ovelhas de Manuel Luís Vieira”, 1937 | 6 minutos.
Cópia digitalizada pela Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema, no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência. Medida integrada no programa Next Generation EU.
Acompanhada por música ao vivo, com Tiago de Sousa
«O Homem Elefante» (1980) de David Lynch M/12 | 124 minutos.