Ainda as estruturas não foram todas desmontadas e arrumadas e já Francisco Martins, presidente da Câmara Municipal de Lagoa, adianta ao «barlavento» que a primeira reunião para organizar a próxima edição da Feira de Artesanato, Turismo, Agricultura, Comércio e Indústria de Lagoa (FATACIL) será em outubro. Em entrevista na segunda-feira passada, dia 29 de agosto, o autarca mostrou-se satisfeito com a edição da feira que terminou no domingo anterior e avançou planos para o futuro.
O maior, a ser apresentado até ao final do ano, será a segunda fase de requalificação do Parque Municipal de Feiras e Exposições. «Quero uma coisa muito simples. Ter um parque urbano convidativo para as famílias, que seja utilizado todo o ano, mas que permita montar uma feira com facilidade», avançou.
Por isso, a ideia é ligar o recinto, a zona do palco, aos terrenos atrás, que são municipais, até ao campo do Desportivo de Lagoa. «A área estende-se com a criação de alamedas, de árvores, equipamentos de apoio, com quiosque e espaços para as crianças brincarem e os jovens e adultos passearem, conviverem e socializarem». Os projetistas estão a terminar um plano prévio que servirá de base para a discussão de ideias sobre o parque urbano que poderá surgir às portas do concelho.
Para já, em relação à FATACIL, Francisco Martins faz um «balanço extremamente positivo, porque havia muitas reticências quanto à capacidade de ser a Câmara Municipal de Lagoa a organizar a FATACIL. Não que não tivesse capacidade de o fazer com qualidade, mas devido aos constrangimentos da contratação pública, da burocracia associada».
Considerada pelo edil como a mais trabalhosa dos últimos anos, quer devido à mudança na entidade promotora, quer pelo esforço em marcar a diferença no espaço, a verdade é que esta edição superou as expetativas da Câmara Municipal, quer em participação, quer em faturação de bilheteira.
A prova de fogo foi não seguir «o filão já criado», que necessitava de um refresh, com «obras e melhoramentos evidentes», mas também na organização, no conceito e nos objetivos traçados. «Foi, de facto, um ano muito desafiante e muito trabalhoso. A FATACIL, montou-se, realizou-se, foi um sucesso, quer em termos de números de visitantes, quer de feedback da grande maioria das pessoas, com um grau de satisfação muito grande, por isso só posso estar feliz», confidenciou Francisco Martins.
Atento às críticas e às sugestões, o edil garantiu que não ouviu «ninguém dizer que estava pior». Esses comentários estarão em cima da mesa a partir do próximo mês, quando o staff reunir para começar a delinear a feira de 2017, que se realizará entre 18 e 27 de agosto, conforme afirmou o autarca. «Se este ano, devido aos constrangimentos da criação de regulamentos, de taxas, de formulários, a [organização] da FATACIL arrancou tarde, a próxima arrancará extremamente cedo», sendo possível «em janeiro ou fevereiro» começar a divulgar o evento, revelou ainda.
A próxima edição ainda será promovida pela autarquia, pois a criação de uma empresa ou outra entidade, que aglutine a organização da feira e outros serviços municipais, necessita de um estudo de viabilidade. «2017 é um ano de eleições, de histerias, em que, muitas vezes, há aproveitamentos (e atenção que aqui não estou a apontar para em nenhum partido em concreto)» e esta temática exige «uma reflexão séria, atempada e consciente. Poderemos em 2017 lançar o estudo e depois das eleições, quem cá estiver, se quiser iniciar esse processo, que o faça», argumentou.
Como pontos positivos desta FATACIL, Francisco Martins refere o equilíbrio entre quem circulava na feira e quem assistia aos espetáculos, numa conquista bem conseguida. A mudança bem aceite levou a que alguns fiéis expositores assegurassem ao autarca que regressarão com «espaços modernos e renovados».
A animação de rua foi outra aposta ganha pela autarquia, na opinião do edil, bem como o cartaz musical. Em 2017, Francisco Martins voltará a confiar na escolha de André Sardet, sendo que a partir do próximo mês devem começar a ser escolhidos os artistas.
A programação equestre também encheu a zona nascente do recinto, o que levou a que Francisco Martins considerasse importante melhorar o espaço, em particular a nível de acessos na bancada.
«Estas obras no recinto foram um teste para ver se o caminho que estávamos a trilhar era o mais adequado» e pelo grau de satisfação, tudo indica «que fizemos bem».
Vinhos medalhados atestam qualidade da região
O IX Concurso de Vinhos do Algarve realizou-se em abril, promovido pela Comissão Vitivinícola do Algarve (CVA) em parceria com a Câmara Municipal de Lagoa e a Associação dos Escanções de Portugal, onde foram distinguidos os melhores vinhos engarrafados algarvios. As 25 medalhas foram entregues na sexta-feira, dia 26, durante a FATACIL.
A Grande Medalha de Ouro «Melhor Vinho do Algarve» foi para o tinto Al-RIA Reserva (2014), da Casa Santos Lima. A medalha de ouro foi atribuída ao rosé Alvor Mitto (2015), da Quinta do Morgado da Torre, e ao tinto Marquês dos Vales Duo Petit Verdot & Touriga Nacional (2012), da Quinta dos Vales. Foram ainda distinguidos com medalha de prata onze vinhos algarvios e com a medalha de bronze outros onze.
Para Carlos Gracias, presidente da CVA, ao «longo dos últimos anos, temos assistido, ao contínuo reconhecimento da região e à atribuição de inúmeras distinções, quer em concursos nacionais, quer internacionais». As cerca de 175 referências existentes no Algarve têm conquistado, por ano, mais de 50 medalhas, distinções, na maioria, realizadas a partir de concursos com provas cegas.
«A participação na FATACIL é, sobretudo, uma oportunidade de dar a conhecer os vinhos da região aos milhares de visitantes» do certame e é «também uma possibilidade dos turistas provarem estes vinhos, ainda pouco recomendados pelos empresários da restauração algarvia, tendência que muito timidamente começa a inverter-se», referiu o responsável pela CVA.
Os «Vinhos do Algarve» deixaram uma marca forte nesta FATACIL, com mais de mil provas dos produtores que participaram e foram premiados no IX Concurso de Vinhos do Algarve. Na feira foram ainda apresentadas as ações previstas, até ao final do ano, onde se destaca o Projeto SIAC – Qualificação «Algarve Wines & Spirits».
Novos projetos apresentados
Os novos projetos apresentados na inauguração da FATACIL passam pela mobilidade, formação, educação. O projeto que liga a ponte antiga ao Parchal «arrancará a qualquer momento e valorizará toda a entrada do concelho e a circulação pedonal», disse o autarca. O embelezamento da zona é prioritário, pois passará a ser a montra do concelho para quem entra por aquela via. Outro projeto acarinhado pelo presidente Francisco Martins é a ligação de Carvoeiro ao último hotel da estrada principal, com a criação de três quilómetros de zona de passeio, com locais dedicados ao lazer. Será um ponto a favor do turismo naquela freguesia, assegurando circulação e segurança.
Haverá ainda investimento para melhorar as condições das crianças que frequentam as escolas do município, com a intervenção em refeitórios. Outro dos planos é criar o Pátio da Música, «um equipamento de apoio ao Convento de São José e à escola, com salas de ensaio, um pequeno auditório, mais virado para a formação», afirmou ainda.
Renovar Ferragudo sem perder tradição
A grande obra que está prevista, mas que «não é para ser feita neste mandato, ou seja, que também fica para quem cá vier, é o projeto de requalificação de toda a baixa de Ferragudo, desde o salva-vidas até ao final do canal. Contempla «alterações no desenho do canal, das esplanadas, dos equipamentos de apoio, da circulação de trânsito com mudança de sentidos, a criação de bolsas de estacionamento nas duas pontas da vila», adiantou Francisco Martins. Uma obra que custará alguns milhões de euros e que terá que ser candidatada ao Portugal 2020.
Ministros ausentes foram convidados
Sem alimentar polémicas, questionado quanto à ausência de ministros na inauguração da maior feira a sul do Tejo, Francisco Martins, presidente da Câmara Municipal de Lagoa, desvaloriza a questão. «Fiz o convite. Eles é que não vieram. No ano passado, não houve possibilidade de ninguém se dirigir à FATACIL. Encantado da vida. Este ano também endereçamos os convites a quem tínhamos de endereçar, até com conversas tidas, e não houve essa possibilidade. A FATACIL realiza-se na mesma», desdramatizou o edil.
Guinness só em 2017
O maior brinde foi realizado, tal como tinha sido anunciado, no sábado, dia 27, mas não foi homologado pelo Guinness, «por ser um processo moroso», admitiu Francisco Martins. Ficará para 2017, ainda que a quantidade de pessoas que brindaram com o Lagoa Reserva Dop 2014, da Adega Única, fosse suficiente para bater recordes. Essa não foi, todavia, uma nódoa no pano no papel de embaixadores de Lagoa, Cidade do Vinho, pois «tivemos cá as regiões toda do país e isso também mostra o prestígio da FATACIL. Demos um espaço nobre ao produto, numa zona central, num lounge, onde muitas pessoas conheceram melhor esta riqueza», sublinhou.

