Já é uma tradição que não pode faltar. O espetáculo equestre algarve lusitano, a realizar no primeiro dia do certame, sábado 22 de agosto (22h00), promete encantar quer um público mais especializado e conhecedor, quer o visitante de ocasião.
«Todos os dias são bons, todos os dias são diferentes», considera Emídio Paias, que desde 2010 é responsável pelo programa da FATACIL Equestre. No entanto, destaca um momento «de relevo» marcado para a noite seguinte, de 23 de agosto. A partir das 21h30, será feita uma homenagem ao criador algarvio Francisco Rocha que «vai trazer cavalos de alta competição, com potencial olímpico, criados por ele, aqui no Algarve», no centro hípico de Belmonte, em Portimão. «O seu pai já tinha cavalos para trabalhar, e esta foi uma paixão que ele desenvolveu até chegar à alta competição», explica. «O filho, homónimo, foi campeão nacional. É formado em medicina veterinária e está atualmente a competir na Bélgica», país com forte tradição equestre.
A homenagem a este criador justifica-se por ser o mais antigo expositor e participante na FATACIL desde há 36 anos. «É uma pessoa que leva isto muito a sério. Vive só dos cavalos, o que é difícil, e tem umas instalações muito boas, de nível internacional», explica. Quem ainda não conhece, poderá assistir na uma apresentação comentada sobre o projeto de Belmonte, antecedida por uma demonstração ao vivo com os cavalos. «No final, as netas do criador vão fazer uma pequena brincadeira com póneis, o que é uma forma também de mostrar que o seu trabalho tem continuidade familiar assegurada», revela.
A Dressage no Algarve
«Está a decorrer o campeonato regional de Dressage que tem tido muita influência», segundo Emidio Paias. Contudo, o recinto equestre não está preparado para realizar provas desta modalidade, devido a uma limitação nas dimensões do picadeiro, que já está devidamente identificada e será corrigida futuramente. Nos últimos dois anos, a solução encontrada para que a Dressage pudesse estar presente no programa, foi o uso provisório do parque de estacionamento, durante a manhã, fora das horas de afluência do público. Contudo, isto envolvia uma logística difícil na preparação do piso, e portanto, este ano, decidiu-se que não haveria prova. «A alternativa encontrada é que vamos mostrar o que está acontecer no Algarve ao nível desta modalidade. E vamos também apresentar o currículo de alguns cavaleiros algarvios», na segunda-feira, dia 24 de agosto, a partir das 21h30. «Neste momento, há um cavaleiro de Faro, Hugo Pereira, que está radicado na Golegã e compete na Alemanha, em cavalos novos. Obteve a melhor classificação de sempre conseguida por um português. Vamos também falar de outros algarvios, como o cavaleiro Pedro Sousa, que está a fazer o campeonato nacional, com os cavalos da Malhadinha Nova», acrescenta.
O encantador de cavalos
«Outra novidade que nunca se fez no Algarve» é a chamada «doma natural» que será realizada pelo espanhol Toño Serrano Madruga, na sexta-feira, 28 de agosto, pelas 22h00. «Vamos trazer ao picadeiro um animal com quatro anos de idade, que tem tido muito pouco contacto com o ser humano. Nunca teve dentro de cocheiras, tem vivido sempre em liberdade», numa quinta na zona do Arão. «Acontece que este senhor, através de uma linguagem gestual vai dominar o animal. É quase como se fosse um encantador de cavalos», explica. Inserido também na demonstração, «vai tratar um animal que apresente uma dificuldade. Imagine um cavalo que não quer entrar numa roulotte, que não quer passar uma poça de água. Com as suas técnicas vai inverter isto», conta. Segundo Emídio Paias, Toño Serrano Madruga é um discípulo do norte-americano Monty Roberts, um treinador que desenvolveu um método gentil para a domesticação de cavalos.
Outros destaques
Na terça-feira, 25 de Agosto, a partir das 17h30, haverá modelo e andamentos no picadeiro, com o juiz internacional Bento Castelhano. Será também o dia dedicado ao Cavalo Lusitano. «Vamos mostrar as vertentes que o cavalo tem na pista: dressage, tourada, atrelagem, obstáculos». Por último, Paias destaca o desfile do traje equestre à portuguesa. Lagoa recebe Ondina Crespo «uma das melhores costureiras do país». Irá explicar ao público os vários tipos de traje, uns exibidos a pé, outros a cavalo, e todos «com muita tradição, muita história». Acontece sábado, 28 de agosto, a partir das 22h00. O certame fecha no domingo, dia 30 com a noite ibérica, um «bonito» intercâmbio entre cavaleiros espanhóis e portugueses, que tem vindo a acontecer ao longo dos últimos quatro anos. «A meu ver, a FATACIL é uma montra para o mundo. Muita gente tem a sua segunda habitação no Algarve e está cá nesta altura. Temos de fazer as coisas com um elevado nível, porque temos um público muito abrangente», diz. «Gostava que esta fosse a terceira feira do país» no panorama equestre. «Existe uma no norte em Ponte de Lima, outra no Centro, na Golegã. No sul, a FATACIL tem de se «afirmar» como a referência no sector. «Temos essa possibilidade e por isso queremos continuar sempre a subir» na qualidade.