A Escola Básica Gastão Cruz foi inaugurada na tarde de hoje, em Faro, pelo ministro da Educação, Fernando Alexandre. Um investimento de 3,5 milhões de euros.
Isabel Campos, diretora do Agrupamento de Escolas D. Afonso III, e Rogério Bacalhau, presidente da Câmara Municipal de Faro, acompanharam Fernando Alexandre, ministro da Educação, Ciência e Inovação no descerrar da placa que marcou a inauguração da nova Escola Básica Gastão Cruz.
O edil farense, no uso da palavra, começou por referir que «hoje é um dia de verdadeira celebração. Não inauguramos apenas uma escola no concelho de Faro. Celebramos, sobretudo, o valor singular da educação como pilar da construção de uma comunidade mais justa e mais preparada para o futuro».
O autarca, docente de Matemática, sublinhou a sua ligação pessoal ao ensino. «Falo não apenas como autarca, mas também como professor de carreira, que teve o privilégio de dedicar grande parte da sua vida a ensinar. Sei o que significa lecionar em espaços que nem sempre têm as condições desejadas. Sei, também, a transformação profunda que uma escola renovada gera no quotidiano, para os alunos que aprendem, para os professores que ensinam, para os auxiliares que a mantêm viva e para as famílias que nela confiam os seus filhos».
A nova escola, acrescentou, deve ser «mais do que um edifício, uma casa de sonhos, de talentos descobertos e de vidas transformadas. Que nela cresçam cidadãos livres, responsáveis e solidários, capazes de continuar a escrever a história desta terra com orgulho e esperança».
Expansão da rede pré-escolar
Ao longo dos últimos três mandatos do executivo de Rogério Bacalhau, a autarquia de Faro investiu na rede pública de educação, sobretudo no pré-escolar, segundo os números apresentados pelo edil.
«Entre 2013 e 2025 demos passos decisivos na área da educação, com a construção e requalificação de vários estabelecimentos de ensino, o que permitiu melhorar substancialmente as condições de aprendizagem no concelho e ao mesmo tempo triplicar a rede pública do pré-escolar. Hoje contamos com 13 jardins de infância distribuídos por todo o território», contabilizou.
«Em 2009, tínhamos nove salas do pré-escolar, que abrangiam 225 crianças. Hoje, contamos com 31 salas que podem acolher 775 crianças. Só este ano, abrimos oito novas salas do pré-escolar, três delas nesta escola».
Apesar deste crescimento, «ainda há cerca de 1.100 crianças que continuam fora das nossas salas. O concelho tem resposta para elas, mas no sector solidário ou privado. Isso mostra que ainda há um caminho muito grande a percorrer. Enquanto houver uma criança sem resposta, haverá, em nós, a responsabilidade de fazer mais e melhor», disse Rogério Bacalhau.
Entre as próximas intervenções na calha estão a criação de um centro educativo com seis salas de pré-escolar na EB 2,3 de Santo António do Alto e a recuperação da antiga escola da Conceição de Faro, que permitirá abrir mais três salas.
Este ano serão também pintadas todas as escolas do primeiro ciclo, «garantindo que cada estabelecimento esteja mais cuidado, mais acolhedor e mais digno para receber alunos, professores e funcionários».
O plano municipal inclui também obras nas escolas de 2.º e 3.º ciclo. O projeto de requalificação da EB 2,3 D. Afonso III já está concluído, com um orçamento de 7,5 milhões de euros e será candidatado a fundos europeus.
«É a única escola do Algarve que, desde a sua construção, nunca teve uma intervenção profunda, tirando a retirada do amianto há quatro anos», lembrou Bacalhau.
A prioridade de intervenção está reconhecida no acordo assinado hoje entre o governo e a AMAL – Comunidade Intermunicipal do Algarve. Além desta, segue-se a EB 2,3 Neves Júnior, com um orçamento de cerca de 9 milhões de euros e, depois, a Joaquim Magalhães.
Há ainda a destacar a requalificação da Escola Básica Estóico, um investimento de mais de 650 mil euros.
O autarca defendeu ainda a descentralização de competências na área da educação. «Considero fundamental aprofundar este processo. Só esta semana contratámos 33 assistentes operacionais que já iniciaram funções e mais oito animadoras para as novas salas do pré-escolar. Isto demonstra que temos capacidade para cumprir as responsabilidades de forma célere», afirmou.
Bacalhau também não esqueceu os aos alunos que enfrentam dificuldades económicas, sobretudo os que não recebem apoios ou estão fora do sistema.
«Às vezes, percebe-se que o aluno tem falta de material. A nossa equipa de ação social contacta a família, faz a análise socioeconómica, e eu, no mesmo dia, despacho para que esse aluno seja apoiado. Se isto tivesse de tramitar dentro dos serviços do Ministério da Educação, calhar chegava ao fim do ano e não tinha resposta».
Ainda de acordo com Rogério Bacalhau, só no ano passado, a Câmara transferiu mais de 2 milhões de euros para os agrupamentos escolares, que resolveram os problemas vários «de forma rápida e eficiente».
«Embora promovamos esta delegação, continuamos sempre ao lado das escolas, garantindo os custos necessários para que possam cumprir a sua missão com excelência», frisou.
Fernando Alexandre: «temos dado uma atenção redobrada ao Algarve
«Nós precisamos conseguir garantir que a todo o território nacional, todas as escolas onde conseguimos garantir igualdade de oportunidades e um acesso a uma educação de qualidade, nós temos de ter uma clareza daquele papel de cada um no cumprimento dessa missão», começou por dizer, perante os presentes, o ministro da Educação.
«É verdade que a maior parte das escolas em Portugal tem boas condições mas a igualdade de oportunidades tem que ser para todos, em todo o território nacional. Por isso, quando falta uma parte daquilo que é o nosso sistema educativo, temos que resolver esse problema e temos que estar completamente determinados», apontou.
Sobre o Algarve, Fernando Alexandre referiu que «há um conjunto de desafios que são muito específicos desta região, que tem crescido em termos populacionais e em termos da diversidade das crianças. Isto coloca também desafios do ponto de vista do ensino e da aprendizagem nas escolas.
«Nós temos dado uma atenção redobrada a esta região», garantiu.
Além da Grande Lisboa e de Setúbal, também o Algarve, para o ministro, «tem conjunto de desafios que são específicos, mas que têm muito em comum. Um deles é o acesso ao pré-escolar. Foi de facto, com muita satisfação, que hoje tive a oportunidade de, com seis presidentes de câmaras municipais no Algarve, assinar um acordo que vai garantir, pelo menos, mais 450 lugares para o pré-escolar na região».
Segundo o governante, «precisamos de planeamento, precisamos de um investimento contínuo que nos vai permitir, no final da década, ter o Parque Escolar praticamente recuperado, dando às crianças, aos professores e ao pessoal docente, as condições para a educação que são necessárias. Uma boa escola faz toda a diferença», assegurou.
Por fim, Fernando Alexandre deixou uma garantia aos algarvios: «vamos continuar. Seja com apoio à educação, seja com recursos externos extraordinários dirigidos ao Algarve, seja com esta aposta no pré-escolar, seja no ensino superior, ou nos projetos de investigação e inovação, que são também essenciais para transformar. Continuaremos a investir nesta região para que, todos os que aqui vivem, tendo ou não nascido aqui, possam ter aquela condição que é essencial para concretizar os seus sonhos, que é o acesso a uma educação de qualidade. Não há investimento mais compensador e com mais retorno, do que o investimento em educação. Com a educação, melhora a condição de cada um e melhora a nossa sociedade».
Isabel Campos: «Um investimento no coração da comunidade»
Na sua intervenção, Isabel Campos, diretora do Agrupamento de Escolas D. Afonso III, reforçou o impacto do novo equipamento educativo.
«É com grande honra e alegria que hoje nos reunimos para inaugurar esta nova escola, um espaço que nasce da vontade coletiva de garantir às nossas crianças as melhores condições de aprendizagem, desenvolvimento e futuro. Esta obra representa mais do que um edifício moderno e funcional, é um investimento no coração da nossa comunidade».
A responsável destacou a aposta no pré-escolar e revelou que a nova escola vai acolher 165 alunos no primeiro ciclo e outros 165 no pré-escolar.
«Que esta escola seja sempre um espaço de aprendizagem, de convivência e de sonhos. Que daqui saiam cidadãos mais conscientes, criativos e solidários», desejou.
O legado de Gastão Cruz
O edifício presta homenagem ao poeta e ensaísta farense Gastão Cruz (1941-2022), um dos nomes maiores da poesia contemporânea portuguesa. Nascido em Faro, foi fundador do grupo Poesia 61, crítico literário, dramaturgo e professor.
A escolha do seu nome para a nova escola procura ligar a modernidade das instalações à riqueza cultural e intelectual do concelho. «É mais um marco e uma estratégia coerente, assente na convicção de que educar é a melhor forma de preparar o futuro», afirmou Rogério Bacalhau.
«Queremos que cada criança e cada jovem sinta orgulho na sua escola, que os professores encontrem condições para ensinar com dignidade e entusiasmo e que as famílias sintam que a cidade de Faro está ao lado delas na grande missão de educar», acrescentou.
O autarca, prestes a concluir o terceiro e último mandato, deixou ainda um apelo: «que esta escola seja um símbolo vivo dessa transformação. Um lugar onde se sonha, se aprende e se cresce. E que Faro continue a ser uma cidade que acredita nas suas crianças, apoia os seus professores e olha para o futuro com coragem e esperança».








