A Trevobox, marca portuguesa especializada na venda de encomendas perdidas, abriu hoje em Faro uma loja pop-up. Basta escolher, pesar, pagar e, com sorte, levar um bom negócio para casa.
Depois do sucesso em eventos como a Feira de São Martinho em Portimão, a Feira Franca de Albufeira e o Off Market 125, esta é a primeira vez que a empresa nascida no Algarve tem um espaço físico, mesmo que por apenas alguns dias.
Miguel Puech, lisboeta radicado na região há 21 anos, explicou ao barlavento o conceito: encomendas que nunca chegaram ao destino são vendidas a peso, a partir de 2,49 euros por 100 gramas.
«O que nós vendemos, sobretudo, é uma experiência. É um pouco o Natal dos adultos. Escolhemos um pacote e satisfazemos a curiosidade. No final de contas, é um jogo. Gosto de dizer que isto é uma raspadinha que tem sempre prémio porque, na realidade, está sempre cá qualquer coisa», simplifica.
«Há pessoas que já conhecem as marcas e há coisas que lhes chamam a atenção» para fazer uma boa compra, pois os pacotes podem conter artigos eletrónicos, roupas, brinquedos e utensílios diversos de todo o tipo.
A questão que se coloca é: o valor dos itens dentro dos pacotes mistério corresponde ao valor indicado na balança? «Por norma, superam as expectativas. Por exemplo, um smartwatch pesará até 200 gramas. Portanto, quem o achar, pagará um quinto do valor em loja. O que acontece, às vezes, é que as pessoas vêm com uma expectativa e não lhes sai o que gostariam de obter. E, por vezes, nem se trata apenas do valor monetário. Podem encontrar artigos para o género oposto, por exemplo. Por isso é preciso aceitar que é uma surpresa. Não sabemos o que é que está dentro das embalagens», admite.
E quem adere à iniciativa? «Nos três eventos em que estivemos presentes, posso dizer que tivemos um pouco de tudo, de jovens a adultos. Claro, até aqui estivemos presentes em feiras francas, onde as pessoas vão predispostas a gastar e a divertir-se».
Outro aspeto importante, diz o fundador da Trevobox, é a proveniência dos lotes. «O que tenho em Faro veio da Alemanha, mas trabalhamos com lotes de toda a Europa. A realidade é que cada vez mais compramos online. Por vezes, por algum motivo, não se encontra o destinatário final da compra. Tudo o que vemos aqui são as encomendas que não foram entregues por mil e um motivos», nem reclamadas.
Quando assim é, os pacotes regressam ao armazém de expedição. «Por norma, são abertos para se verificar o interior, se existe alguma informação que leve ao proprietário» e fechadas de novo.
Ao fim de 90 dias, caso seja impossível chegar ao proprietário, contacta-se então o expeditor. «Como sabemos, no mercado online, 90 por cento dos itens vêm da Ásia. O regresso do produto, per si, é muito caro e o expeditor já ganhou o dinheiro. O que faz? Abandona o produto. Descarta». E assim, os pacotes acumulam-se em armazéns à espera de serem incinerados.
Por isso, «o nosso conceito também tem um lado ecológico e de reciclagem. Muitas destas encomendas seriam destruídas, queimadas até este negócio ter sido inventado», acrescenta.
O negócio da venda a peso ao público nasceu em 2018, «para resolver este problema». Começou devagar e, desde então, tem vindo a popularizar-se na Europa. «Ao início, tive dúvidas se resultaria em Portugal, mas a aceitação tem sido muito boa», confirma.
Em relação a dicas, é estar atento às embalagens e nem sempre o maior volume significa maior valor. «Só há uma regra importantíssima. É proibido abrir ou espreitar os pacotes, porque senão estamos a estragar o jogo da próxima pessoa. De resto, venham divertir-se. Isto é escolher, tentar perceber o que está dentro, pesar, pagar, e que tenham a melhor sorte possível», remata.
A Trevobox, que se assume como empresa algarvia, vai estar aberta até dia 23 de fevereiro, na Rua Dr. Cândido Guerreiro, 25, em Faro.
