Vejamos: o que se chama IKEA pretende ser afinal um complexo de seis áreas, composto por retail park, centro comercial, lojas stand alone, loja Ikea, cuja dimensão terá três vezes e meia a que hoje já temos no Fórum Algarve (à saída de Faro no mesmo sentido).
Ora, afinal o que se permitiria era a constituição de um novo mega núcleo urbano-comercial de atração para fora dos limites concelhios de Faro, mas à custa da procura gerada pela massa populacional da capital e do deslocamento da sua despesa de consumo e fiscal para Loulé, com efeito evidente na dissipação de recursos e desertificação do comércio de proximidade na vivência urbana dos bairros farenses com a consequente geração de desemprego local;
Já quando foi discutida a criação do parque das cidades, Loulé defendeu então a sua constituição através da transferência de localização de serviços públicos, ainda da capital. Felizmente, na altura, a CMF conseguiu inviabilizar tal objetivo, porque provocaria uma contribuição irreversível para a sustentabilidade de Faro enquanto cidade de comércio e serviços.
Também no núcleo de expansão urbana da Senhora da Saúde/Lejana/Mar e Guerra, este executivo PSD/PP aceitou a regressão imposta pelo atual Governo de abandono do compromisso de fixação do complexo da nova Cidade Judiciária nos terrenos municipais ali cedidos e que valorizavam a fixação populacional que, hoje, se vê circundada por um deserto de atividades e que provocarão a perca de valor dos seus investimentos prediais, a par do aumento da taxa de IMI que suportam.
Ainda agora, aquando da aprovação do novo Plano de Urbanização da Quinta da Penha, o nosso vereador Professor Fernando Gomes, provava, com base na estatística oficial, que Faro apresenta índices de regressão da procura populacional projetada até 2030 o que, associada à incógnita de investimento no Campus da UAlg na Penha, coloca a questão sobre a regeneração e sustentabilidade daquela imensa área habitacional a prazo até ao Vale da Amoreira, cuja urbanização está parada, e na ligação destas à Lejana.
Para um período da projeção que termina em 2031, embora no final do período em apreço a população do Algarve aumente 9%, Faro regride para valores observados em 2001. Em 2031, no eixo Faro – Loulé, a perda populacional do concelho de Faro é significativa, enquanto em 2001 o concelho de Loulé apresentava mais 1293 habitantes, em 2031 essa diferença pode subir para 8838 habitantes (aliás Faro poderá passar para 4º lugar em termos populacionais na região).
Por outro lado, ainda na discussão pública do Plano de Pormenor da entrada de Faro – Olhão (Areal Gordo) anunciámos, pela voz da nossa vereadora Engenheira Cristina Ferreira, voto contra, porque converte em urbano mais solo agrícola em exploração com fundos comunitários sem que haja procura ou necessidade que o evidencie.
Assistimos a um total alheamento das nossas populações à discussão e participação nestes atos e perspetivamos que, à parte o centro histórico e frente ribeirinha que com a inevitável procura turística, assim como a instituição de diversos benefícios e isenções fiscais e logo a construção a prazo da marina, todo o mais que constitui a nossa cidade se desertifique de atividades/emprego e perca valor habitacional com uma população mais fragilizada economicamente.
Como repete o presidente do PS Faro Luís Graça, «ter razão antes do tempo, em política, é como não ter razão nenhuma».
Entendo que Faro tem que assumir o que quer para o seu futuro e não esperar para, vivendo as suas consequências, vir a acusar os que no passado o permitiram.
*Vereador PS na CMF