«Somos todos muito gratos pelo facto de seres amigo, sem nunca deixares de ser professor», disse Paulo Pires, antes de pegar no acordeão, num de vários apontamentos em jeito de homenagem a José Louro, que passaram pelo palco do Teatro Lethes, no domingo, 11 de dezembro.
Luís Vicente, que fundou a ACTA – A Companhia de Teatro do Algarve desafiado pelo premiado, fez questão de lhe dedicar uma mensagem para a posteridade no mini-documentário «José Louro – apontamentos de uma vida», estreado na ocasião pela Algarve Film Comission. «José Louro revela-se um mestre de exceção, num teatro que coloca questões humanas, de cidadania, de igualdade de género, no seu sentido mais amplo. E faz isto com gente nova, o que é admirável, porque depois também projeta o seu trabalho no futuro. Estão aí as pessoas que já passaram pela sua mão, desde secretários de Estado, ministros, diretores gerais, a simples atores, como este que vedes perante», brincou.
Rogério Bacalhau, presidente da Câmara Municipal de Faro, apesar de não ter passado pela sala de aula do professor, quando frequentou o Liceu de Faro, foi «marcado para a vida futura» por uma amizade que ainda perdura. «José Louro é um homem profundamente generoso e o Lethes muito lhe deve. É profundamente significativo que esta entrega se faça aqui, num espaço que ajudou a erguer das cinzas, num tempo em que o futuro desta magnífica sala parecia seriamente ameaçado», sublinhou o autarca.
«Homem de ideias, de letras e de muitas e boas conversas, reconheço que a paixão é a pedra de toque do seu percurso. Louro é alguém que gosta tanto do que faz que raro é vê-lo desgostoso ou desiludido, mesmo que no seu âmago, por diversas vezes, pudesse sentir o sabor amargo da injustiça e do esquecimento. Tudo nele nos inspira conhecimento. Enquanto encenador, muitos são os atores que lhe devem as suas carreiras artísticas. E como professor, muito haveria a dizer. Um homem de afetos que marcou todos aqueles com quem se cruzou», sublinhou.
«Obrigado, parabéns pelo prémio e sobretudo parabéns por seres quem és. Faro, a sua cidade, celebrará sempre a sua obra e a sua pessoa», prometeu Rogério Bacalhau.
Instituído pela Direção Regional de Cultura do Algarve, o primeiro galardão deste prémio foi atribuído há dois anos a Margarida Tengarrinha. Desta vez, a diretora regional de Cultura Alexandra Gonçalves considerou que a biografia de Maria Veleda – pioneira na luta pela educação das crianças, dos direitos das mulheres e dos ideais republicanos – «constrói pontes com a luta percorrida por José Louro na educação pelas artes e, em particular, no desenvolvimento do teatro no Algarve».
Alexandra Gonçalves, diretora regional de Cultura do Algarve no uso da palavra
«Também eu fui aluna de língua portuguesa do professor José Louro e também eu possuo afáveis memórias do seu poder de encantamento para os textos literários do grandes autores portugueses. O poder de comunicação, a fala pausada, a capacidade de reflexão deixaram marcas em várias gerações e isso está aqui bem presente hoje. Ninguém ficava indiferente às suas aulas, transmitindo uma profunda sabedoria, com uma particular paixão aquando da partilha de conhecimento sobre Fernando Pessoa. Palavras como o encenador, o pedagogo, o semeador, o amigo, surgem sempre que falamos de José Louro», considerou antes de lhe dedicar o poema «Uns, com os olhos postos no passado», de Ricardo Reis.
No final da cerimónia, ovacionado de pé pelos presentes e, apesar da frágil saúde, José Louro, 83 anos, agradeceu e deixou um desejo, para o qual, já contribuiu: «oxalá venha a haver muito mais Marias Veledas».
