O serviço de abastecimento público de água tem perdas anuais de cerca de 184 milhões de metros cúbicos (m3), alerta a Entidade Reguladora dos Serviços de Água e Resíduos (ERSAR) no relatório de 2023 sobre o sector.
No Relatório Anual dos Serviços de Águas e Resíduos em Portugal (RASARP 2023), com dados de 2022, a ERSAR diz que o indicador de perdas reais registou o valor mais baixo dos últimos cinco anos para as entidades gestoras em baixa (abastecimento ao consumidor final) mas que mesmo assim a avaliação é mediana, por se perder por ano 162,2 milhões de metros cúbicos de água na rede.
Se a esse valor se juntar as perdas no sector em alta (que faz a ligação às entidades gestoras), de cerca de 21,5 milhões de metros cúbicos (m3), chega-se aos 184 milhões, explica-se no documento.
O pior resultado nacional de perdas chega aos 84,6 por cento. E de acordo com os dados da ERSAR «há 39 entidades com desperdícios superiores a 50 por cento e 15 onde a medição nem sequer é feita. O valor recomendado pelo regulador como «bom» é de 20 por cento», refere o comunicado.
No relatório, a ERSAR recomenda o investimento na reabilitação de condutas, um indicador com «um dos piores resultados, em anos sucessivos».
E alerta que a percentagem de água não faturada, «sinaliza a necessidade de se investir na alteração de procedimentos de faturação e na redução de perdas de água, em particular na baixa».
A ocorrência de inundações na gestão de águas residuais mantém-se insatisfatória (no serviço em alta e em baixa), devendo «ser implementadas medidas preventivas de manutenção e de reabilitação de coletores pelas entidades gestoras», diz-se no relatório da ERSAR, que sugere melhorias também para o sector da recolha e valorização de resíduos.
E face à escassez de água no país, devido às alterações climáticas, a ERSAR salienta a necessidade de se criarem sistemas de produção de água residual tratada para reutilização.
«No entanto, verifica-se que ainda são poucos os sistemas que produzem águas residuais tratadas para reutilização em Portugal continental», constata o relatório, especificando que, contabilizando utilizações com licença, em 2022 apenas sete entidades gestoras produziram águas residuais tratadas para reutilização, correspondendo a 2,9 milhões de metros cúbicos, ou seja, a apenas cerca de 0,4 por cento da água residual tratada em estações de tratamento.
O relatório pode ser lido aqui.