Se um casamento se desfaz por iniciativa, apenas, de uma das partes, é natural que a outra se possa sentir triste por tal facto, procurando, nomeadamente, perceber a razão da partida da primeira e de eventuais culpas suas nessa mesma partida, isto se for uma pessoa racional.
Agora, concluir-se que quem quis partir sinta igual tristeza, só não se perceberá, então, porque decidiu fazê-lo, a não ser que se esteja perante um qualquer caso de esquizofrenia.
Vem isto a propósito do CDS-PP, comentando o resultado do referendo no Reino Unido sobre a sua permanência ou não na União Europeia (EU) e tendo o não vencido, considerar que este se traduziu «num dia triste», não só para a segunda, como para o primeiro.
Ora, com capacidades analíticas deste jaez, a que se junta a afirmação do alemão Martin Schulz de que terá de haver «consequências» para o Reino Unido de forma a evitar que «outros possam seguir o mesmo caminho que os ingleses seguiram», ou seja, apelando-se, mais uma vez, à política da «punição», que parece ser a única que a UE tem conhecido de algum tempo a esta parte, receia-se que esta venha cada vez mais a ficar mais triste… caindo numa profunda e irreversível depressão!
Entretanto, a nossa, porque pública, RTP decidiu entrevistar alguns dos ingleses que no Algarve residem e exercem uma qualquer atividade, sobre a dita saída do Reino Unido da UE.
Dado o seu estatuto, que não simples turistas, esperar-se-ia que procurassem falar português, tal como os portugueses procuram (têm) de falar inglês quando para o seu país vão.
Mas, pelos vistos, a nossa língua deve ser muito «difícil» de aprender para eles, porque foram entrevistados na sua. A não ser que se tenha estado perante uma simples cortesia dum repórter a recibo verde, enquanto, paralelamente, revelava os seus conhecimentos linguísticos, na expetativa de vir, ainda, a emigrar para lá do Canal da Mancha. Apesar do «não» do Reino Unido à UE.