O presidente da Juventude Popular de Faro anunciou que irá votar em António José Seguro na segunda volta das presidenciais, assumindo uma posição pessoal.
O presidente da Juventude Popular (JP) de Faro, Lourenço Pinheiro de Melo, anunciou que irá votar em António José Seguro na segunda volta das eleições presidenciais, marcada para 8 de fevereiro, assumindo uma posição pessoal que diverge da orientação do CDS-PP.
Num comunicado de imprensa enviado ao jornal barlavento, o dirigente sublinha que escreve «a título estrita e puramente pessoal», rejeitando qualquer tentativa de influenciar o sentido de voto das estruturas partidárias que integra ou lidera.
Defende que o personalismo, pilar da Democracia-Cristã, impõe a primazia da pessoa humana e do bem-comum sobre o taticismo político-partidário.
Lourenço Pinheiro de Melo recorda episódios históricos para sustentar a sua posição, nomeadamente a decisão do CDS de viabilizar, em 1978, o II Governo Constitucional liderado pelo Partido Socialista (PS), após ter votado contra a Constituição de 1976.
Segundo o autor, esse momento demonstra que os interesses nacionais podem prevalecer sobre a lógica partidária.
Quase 50 anos depois, considera que os Democratas-Cristãos enfrentam uma escolha semelhante, entre o combate ao socialismo e a rejeição do populismo, expressão usada pelo próprio CDS-PP num comunicado recente.
Questiona, por isso, o apoio dado a Luís Marques Mendes na primeira volta das presidenciais e a ausência de uma posição autónoma do partido na segunda volta.
Na sua perspetiva, António José Seguro representa o «bom socialismo», entendido como uma ala moderada e responsável do PS, capaz de gerar consensos e de colocar os interesses nacionais acima de agendas pessoais ou partidárias.
Acrescenta que o antigo líder socialista partilha uma visão política assente em princípios e valores inalienáveis, próximos do humanismo cristão.
O dirigente da JP rejeita a leitura das presidenciais como um confronto entre Democracia e Fascismo, considerando-a tecnicamente incorreta e contrária aos valores democráticos.
Defende que todo o sufrágio validado pelo Tribunal Constitucional deve ser respeitado, independentemente da sua origem ideológica.
Para Lourenço Pinheiro de Melo, a segunda volta das eleições presidenciais, que opõe António José Seguro a André Ventura, representa um confronto entre a matriz axiológica da Democracia-Cristã e projetos políticos que a negam, sustentando que não há espaço para neutralidade quando está em causa a defesa do bem-comum.