«Deve Haver mais qualquer coisa» é a nova criação para teatro da folha de medronho. Estreia a 7 de novembro no Cineteatro Louletano.
Com base no livro «Manifesto corvo» do escritor, dramaturgo, romancista, poeta e crítico espanhol Max Aub, «Deve Haver Mais Qualquer Coisa» terá estreia absoluta, no Cineteatro Louletano no domingo, dia 7 de novembro, às 17h00.
Este trabalho surge de uma coprodução da folha de medronho e do Cineteatro Louletano, com o apoio da Câmara Municipal de Loulé e do Gabinete de Estratégia, Planeamento e Avaliação Culturais (GEPAC), e conta com as interpretações de Alexandra Diogo e Mariana Vasconcelos.
A peça a adaptação e dramaturgia de Helena Malaquias. A encenação e o espaço cénico está a cargo de João de Mello Alvim.
Segundo a folha de medronho, «o processo formal a que Max Aub recorre é, à partida, o de uma fantasia fabulosa, mas desde logo com laivos medonhamente paródicos. A distanciação criada através da personagem de um corvo e do seu frio registo científico parece querer indicar a impossibilidade de uma narrativa ficcional humana sobre um tal empreendimento, introduzindo uma outra visão dos campos de concentração: a de um jardim zoológico humano. Pois como pode o homem ver-se ao espelho naquilo?»
O texto, diz ainda o coletivo sedeado em Loulé «congrega e condensa características híbridas e paradoxais, incorporando literatura fantástica, realismo desapiedado, humor negro e inventividade literária».
É uma «radiografia de um campo de concentração e das estranhas formas de vida que nele surgem, a radicalidade reflexiva deste escrito transporta-o para um plano narrativo que tende a abarcar a humanidade como um todo, ou, pelo menos, a humanidade estatizada. Porque a lógica corvina, livre dos antolhos humanos, e só aparentemente absurda, leva a uma dissecação geral: se as mais avançadas relações humanas podem admitir a repetitiva indignidade de um campo de concentração, é porque este já faz parte dessas relações, que assim se tornam impensáveis, impondo a esta história um desfecho inconclusivo Deve Haver Mais Qualquer Coisa».
Mestre do humor negro e do ilusionismo literário, Max Aub Mohrenwitz (1903-1972) nasceu em Paris, filho de pai alemão e de mãe francesa.
«Espanhol por decisão e exilado por destino», nas palavras de Juan María Calles, mudou-se para Valência em 1914, com a eclosão da Primeira Guerra Mundial, tendo adotado o espanhol como língua de criação.
Em 1942, procura exílio no México, onde viria a morrer. Novelista e dramaturgo, cultivou também a poesia, o conto e o ensaio. É autor de mais de 40 títulos.
Segundo a editora Antígona, em toda a sua obra soube unir prosa de vanguarda e comprometimento social, e, com uma assombrosa versatilidade, destruiu fronteiras entre géneros.
Os bilhetes custam 5 euros e podem ser reservados por telefone (289 414 604) e email ([email protected]) ou adquiridos online na BOL.
