Cerveja Alcalar mostra o sabor da pré-história

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A edição limitada de uma cerveja artesanal com receita pré-histórica é a grande novidade para a tradicional recriação histórica no Centro Interpretativo de Alcalar, a 16 de abril. Segundo José Gameiro, diretor científico do Museu de Portimão, equipamento cultural que dinamiza esta iniciativa, a «cerveja Alcalar será apresentada pela primeira vez este ano. Tem este nome, porque o sistema de fermentação é feito de acordo com as plantas que existiam na pré-história, bem como com as investigações arqueológicas», contou ao «barlavento».

Já na edição passada de «Um Dia na Pré-História», nos monumentos megalíticos de Alcalar, tinha sido feita uma experiência semelhante com cerveja. Contudo, «esta não usará lúpulo», pois apesar desta bebida alcoólica já existir na alvorada da Humanidade, «não recorria a esta planta para a fermentação». «Vamos seguir a receita» pré-histórica, num projeto que será realizado pelos artesãos cervejeiros convidados.

No entanto, no dia antes, a 15 de abril, o Museu de Portimão acolhe o primeiro seminário de arqueologia experimental ao sul do país. Esta será outra das novidades deste projeto, que nesta edição conta com o apoio do programa DiVam, promovido pela Direção Regional de Cultura do Algarve.

«É um encontro internacional, porque contará com oradores espanhóis e portugueses», revelou José Gameiro. Entre os participantes estão, por exemplo, a arqueóloga Elena Morán, os artesãos cervejeiros, que vão explicar como se produz a cerveja pré-histórica, Pedro Cura, José Antonio Riquelme (Universidad de Córdoba) ou Sara Navarro.

Aliás, não será por acaso, que ainda em março, no dia 13, entre as 15h00 e as 18h00, decorre uma oficina de cerâmica no Museu de Portimão, com a investigadora e doutorada em escultura, apoiada pelo Grupo de Amigos do Museu de Portimão. A ideia é «elaborar as peças na oficina um mês antes, para que, em abril, durante a recriação estas possam ser cozidas recorrendo ao método pré-histórico: a soenga», a cozedura em fogueira a céu aberto, explicou o diretor científico. «Todo o processo segue o objetivo da arqueologia experimental», sublinhou.

Em abril, os participantes na oficina são convidados para «Um Dia na Pré-história», em Alcalar. Tal como nos anos anteriores, haverá ainda a culinária pré-histórica, o talhe de pedra e, este ano, também pela primeira vez, vão aparecer réplicas dos utensílios usados, onde se colocará a cerveja, a comida», adiantou José Gameiro. Ou seja, para o diretor científico não restam dúvidas que «o rigor está um pouco mais assegurado, exatamente por causa do reforço e do apoio do DiVam», do Grupo de Amigos do Museu, e também da colaboração das Câmaras Municipais do território alcalarense (Lagos, Portimão e Monchique).

«Será um projeto que assenta em quatro eixos, primando pelo rigor científico, com muito mais participantes e iniciativas. Isto não é uma encenação, mas uma recriação com autenticidade legitimada pela vertente científica da arqueologia», resumiu.

Também neste âmbito será realizada a oficina das férias da Páscoa, «Mãos à Terra», no Museu, entre 28 de março e 1 de abril. «Haverá uma ligação à pré-história para que as crianças, dos 8 aos 14 anos, também percebam como é que os povos faziam os utensílios. Vão poder moldar, criar formas e decorar». As inscrições podem ser realizadas para o email [email protected]

Algarvio preside júri do «European Museum of the Year Award»

José Gameiro, diretor científico do Museu de Portimão, é o presidente do júri do «European Museum of the Year Award», que atribui os galardões aos equipamentos culturais que mais se destacam, seja o Museu Europeu do Ano, o Museu Conselho da Europa (já escolhido em dezembro), o prémio «Kenneth Hudson» ou «Silletto». A cerimónia será em abril, em San Sebastian e Tolosa (Espanha), estando a concurso dois museus portugueses dos clubes desportivos Benfica e Porto. Para José Gameiro voltar a ter sido convidado a fazer parte do júri e, este ano presidí-lo, é «gratificante», porque os elementos visitam os equipamentos culturais a concurso. «Não se resume a ler uma candidatura em papel. Vamos visitar, tomar contacto com a realidade e é uma experiência muito positiva que nos enriquece e que também tem ajudado a crescer nestas perspetivas museológicas», afirmou. Este ano, são 24 países, com 49 museus a concurso, e esta experiência estabelece uma grande rede entre museus.

Aniversário do Museu já está a ser preparado

O oitavo aniversário do Museu de Portimão é assinalado a 17 de maio, mas tal como nos anos anteriores estende-se aos dias seguintes, até dia 21, com diferentes iniciativas, que pretendem levar a população àquele equipamento cultural. Além da já tradicional Corrida Fotográfica, está prevista também, segundo José Gameiro, diretor científico do Museu, a inauguração da exposição «Todos Nós Somos Peixes». Esta é uma mostra constituída por obras do escultor Hein Semke, doadas àquele espaço portimonense. Nos últimos sete anos, o Museu tem sempre vindo a crescer já registando cerca de 415 mil visitantes. Em 2015, teve 53426 visitantes, o que representa um aumento de 5,7 por cento em relação ao ano anterior. Segundo os dados divulgados pela Direção Geral do Património Cultural, num ranking liderado pelo Museu dos Coches, a estrutura portimonense encontra-se em 9º lugar, entre os museus Soares dos Reis (Porto) e o do Chiado (Lisboa).

Amigos do Museu promovem primeiro passeio cultural a Lisboa

O Grupo de Amigos do Museu de Portimão está a organizar o primeiro passeio cultural, que terá como destino Lisboa, no próximo dia 19 de março. A partida está marcada para as 8h00, junto ao Clube Naval local, perto do Museu, estando prevista a chegada à capital, às 11h00. Os participantes vão depois efetuar uma visita guiada à exposição «Lusitânia Romana: Origem de dois povos», no Museu Nacional de Arqueologia. Às 13h00, o almoço será na cafetaria/restaurante do Museu da Marinha, seguindo-se, às 15h00, uma visita ao Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian. Neste espaço, os participantes vão poder ver, entre outras exposições, a mostra «Um alemão em Lisboa», composta por obras do escultor Hein Semke, artista que estará em destaque no aniversário do Museu de Portimão, em maio. «A Gulbenkian recebeu mil peças do artista e nós recebemos cerca de 300, alusivas aos peixes e à temática marítima. No entanto, por exemplo, «lá existem gravuras impressas, das quais nós temos o molde original cá», explicou ao «barlavento» José Gameiro.