A Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Algarve e Universidade do Algarve (UAlg) acabam de apresentar o Plano da Salvaguarda da Dieta Mediterrânica 2023-2027 na Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL).
A criação de um museu vivo, associado ao Centro de Experimentação Agrária de Tavira irá possibilitar a apresentação das diferentes dimensões da Dieta Mediterrânica e a promoção dos produtos e boas práticas, por forma a abranger o maior espectro populacional e cultural possível é um objetivos que constam do Plano da Salvaguarda da Dieta Mediterrânica 2023-2027, hoje apresentado na BTL.
O Museu/Centro interpretativo irá apresentar rotas e sítios de experimentação das práticas da Dieta Mediterrânica, «despertando a curiosidade e a vontade de os visitar» aos visitantes, que se estima atingir até 10 mil por ano.
O novo plano tem o Objetivo estratégico de afirmar o Algarve como região de excelência na investigação e produção de conhecimento no âmbito da Dieta Mediterrânica (DM).
Um aspeto inovador tem a ver com o mapeamento e inventariação das unidades de paisagem cultural de referência, que «constituem uma forte ligação à história do Mediterrâneo e da região, e constituem-se hoje como um recurso potenciador do desenvolvimento regional. A salvaguarda e gestão destes recursos é de extrema importância, numa perspectiva de preservação identitária e de desenvolvimento sustentável, exigindo o envolvimento dos atores regionais do ordenamento e gestão territorial, mas também das comunidades locais. O conhecimento atualmente existente encontra-se disperso, carecendo de uma ampla reorganização e disseminação».
Conhecer com maior detalhe a perda da biodiversidade dos habitats mediterrânicos da região é outra medida prevista.
«A recolha de informações sobre a distribuição geográfica de espécies (fauna e flora), sobre a saúde dos ecossistemas e as principais ameaças ajudam a identificar áreas prioritárias para conservação, redirecionar recursos e implementar estratégias eficazes de gestão. Adicionalmente, contribui para a sensibilização das comunidades, estimulando a sua participação em ações de conservação e restauração dos ecossistemas e biodiversidade endógena. Esta ação permitirá aos diferentes atores regionais intervir de forma mais efetiva no território, facilitando a tomada de decisão», lê-se no documento hoje apresentado em Lisboa.
Ainda no âmbito da proteção, será criado um centro de apoio à formação e ao empreendedorismo, «que disponibilize formação técnica especializada nos diferentes domínios da Dieta Mediterrânica aos diferentes Intervenientes regionais, nomeadamente agricultores, pescadores, indústria alimentar e outras empresas, membros da comunidade, entre outros».
A CCDR Algarve e a UAlg querem também recuperar e preservar as variedades tradicionais «esquecidas» de espécies mediterrânicas da região e criar um um «Selo» da Dieta Mediterrânica de forma a diferenciar e valorizar, produtos e serviços associados a este património imaterial.
Estiveram presentes hoje na sessão de apresentação na BTL, Pedro Valadas Monteiro, por parte da CCDR Algarve e Ana de Freitas, vice-reitora da UAlg.
A Dieta Mediterrânica foi inscrita a 4 de dezembro de 2013 na lista do Património Cultural Imaterial da Humanidade da UNESCO.
Tratou-se de uma candidatura e um processo totalmente novo, que substituiu e alargou a candidatura de 2010 da iniciativa de Espanha, Itália, Grécia e Marrocos.
A decisão, que abrangeu Portugal e a sua comunidade representativa Tavira, mas também a Croácia, Espanha, Grécia, Itália e Marrocos foi tomada em Baku, capital do Azerbaijão, na oitava Sessão do Comité Intergovernamental para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial.
Com esta inscrição, Portugal assumiu particulares responsabilidades na defesa das culturas locais, a obrigação de realizar inventários e de participar no Plano de Salvaguarda com os outros Estados e comunidades representativas.
Sendo o Algarve, a mais mediterrânica das regiões portuguesas e Tavira a comunidade portuguesa representativa deste Património Cultural Imaterial da Humanidade, fez sentido que diversas entidades regionais se tenham unido para preparar e aprovar o Plano de Atividades de Salvaguarda (PASDM) da Dieta Mediterrânica na Região do Algarve 2023-2027.
O PASDM23-27 define os objetivos e as iniciativas considerados estratégicos para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial da Dieta Mediterrânica no âmbito de:
- Identificação, investigação e documentação;
- Preservação e proteção;
- Promoção e valorização e transmissão, através da educação formal e não formal.
Para cada uma destas áreas de atuação são identificadas as ações que, em cada iniciativa, diversas entidades regionais se propõem realizar entre 2023 e 2027. A maioria do financiamento será candidatado ao Programa Regional Algarve 2030, que destina a promover a competitividade e diversificação da economia e a sustentabilidade da reigão, valorizando o território e as pessoas.
O PASDM 23-27 foi coordenado pela UAlg e com a colaboração de diversas entidades regionais e esteve em consulta pública até ao final de dezembro último.
Em breve, os benefícios da Dieta Mediterrânica vão estar disponíveis para milhões de pessoas no âmbito de um protocolo entre a UAlg e uma plataforma norte-americana que criou uma aplicação (app) para alimentação saudável.
O documento pode ser lido aqui.

