Menos conhecidas, mas não menos importantes para a formação desportiva da juventude lacobrigense, são o hóquei em patins e a patinagem artística. A última, com cerca de 10 anos de existência, foi a escolhida pelo «barlavento», pelo incremento que está a experimentar, com cerca de 40 praticantes, entre formação e competição. Um clube são as pessoas que o formam e quisemos saber quem são os impulsionadores da patinagem artística do Roller Clube de Lagos.
Bruno Teodósio, 31 anos, chegou ao clube há dois anos. É o treinador da classe de competição e vice-presidente da secção. Já tem três atletas a competir a nível nacional, uma delas nas três modalidades que formam a patinagem artística: livre, figuras obrigatórias e dança solo. Rita Silva, da mesma idade, chegou há um ano e é a responsável pela formação. Nos últimos sete meses, viu a sua classe passar de 10 para 23 alunos.

Bruno Teodósio teve a sua primeira experiência artística aos 10 anos, na Mini Chuva de Estrelas. Logo de seguida, iniciou-se na patinagem artística, sendo atleta de competição até aos 23 anos. Escolheu a dança solo e foi acumulando títulos de campeão regional de Lisboa. Durante um ano, não falhou uma ida ao pódio, embora nunca tivesse conseguido o tão pretendido primeiro lugar. Competiu internacionalmente, tendo um 5º lugar como a sua melhor classificação internacional.
«Decidi tirar o curso superior de dança e comecei a trabalhar em televisão, em anúncios e telenovelas. Fui um dos bailarinos principais no Dança Comigo no gelo. Depois, entrei num programa que se chamava Palco Partilhado, onde havia dança, patinagem e teatro, trabalhando com o Jorge Capinha, a Mafalda Teixeira e a Patrícia Candoso, por todo o país.
De seguida, liguei-me ao Paulo Sousa e Costa, que representava a Luciana Abreu, e fui patinador principal. A peça foi um êxito. Devíamos estar no Rivoli do Porto durante um mês e ficámos dois e meio, passando de uma para quatro sessões diárias. Criei uma grande base em termos artísticos, mas a patinagem foi o início de tudo o resto e é a minha paixão. Há dois anos, a treinadora Ana Relvinhas convidou-me para vir para o Roller, aceitei e aqui estou a dar o meu máximo. Há um ano, convidei a Rita, que aceitou», contou ao «barlavento».
Rita Silva iniciou-se na patinagem com oito anos. Tirou o primeiro lugar na primeira competição em que entrou. «A partir daí, fiquei-me consecutivamente pelos 2º e 3º lugar, sem conseguir o lugar no topo». Uma lesão num joelho, que veio a requerer cirurgia, não a deixava fazer os exercícios livres, que eram a sua paixão. Mesmo assim, conseguiu um 5º lugar nacional nas figuras obrigatórias. Após a cirurgia, começou a fazer dança solo com o Bruno Teodósio, mas abandonou a modalidade.
«Aos 18 anos, fui estudar design para Portalegre. Entretanto, a professora Judite mudou-se para o Sport Lisboa e Benfica e transferiu os treinos para Lisboa, a fim de poder continuar a treinar os atletas que se tinham mudado, como o Bruno. Para mim, o triângulo Portimão-Portalegre-Lisboa tornava-se impossível. Abandonei a prática da modalidade, mas o bichinho ficou sempre cá dentro. Quando o Bruno me convidou e me disse que era para trabalhar com crianças, delirei e aceitei logo. Sentia-me incompleta a fazer somente design e ilustração. A patinagem é o complemento que me torna realizada».
O Roller Clube de Lagos está de parabéns, tal como a Rita e o Bruno que estão apostados em continuar desenvolver a modalidade, a criar jovens bem formados e, quem sabe, novos campeões.