O protesto público contra as portagens na A22 (Via do Infante), no dia 24 de março, na Ponte Internacional do Guadiana (Vila Real de Santo António), promovido pela Comissão de Utentes (CUVI), seria apenas mais uma manifestação de descontentamento como tantas outras que têm sido organizadas por este grupo. No entanto, o «excesso de zelo da GNR» impediu a distribuição de informações a quem passava na via, acusa a CUVI.
Nesta iniciativa participaram deputados eleitos pelo Algarve, como é o caso de João Vasconcelos, do Bloco de Esquerda (BE), um dos rostos mais conhecidos desta luta, diversos cidadãos e associados e dirigentes do Motoclube de Faro.
A intenção era sensibilizar os turistas espanhóis que aproveitaram as mini-férias da Páscoa, com uma marcha lenta naquela ponte, que se iniciou no território português, entrou em Espanha, regressando pela mesma via para terminar na zona de pagamento de portagens.
«Aí os manifestantes empunharam diversas faixas e cartazes de protesto contra a continuação das portagens, exigindo a sua rápida suspensão», justificou a Comissão de Utentes em nota de imprensa. A confusão instalou-se nesta zona, com dezenas de turistas em fila parada para pagar as portagens.
«Estranhamente, um pouco antes e até à chegada da marcha da CUVI à praça da portagem, as autoridades da GNR limparam toda a área, fazendo com que os condutores fossem desviados pela A22 sem qualquer tipo de pagamento. Nos instantes seguintes, as filas de automóveis congestionaram, todavia, o local da portagem para pagamento. De onde teriam partido as instruções para tais procedimentos», questiona ainda a CUVI.
«A ação ter-se-ia realizado com toda a normalidade não fosse o excesso de zelo dos elementos da GNR, que obrigou os manifestantes a ficarem todos na beira do passeio exterior que ladeia as portagens, impedindo-os de chegar perto dos carros que nelas paravam», descreveu a Comissão.
O deputado do BE e membro da CUVI foi uma das pessoas impedidas pelos militares da GNR de abordar os turistas. «João Vasconcelos, embora pudesse invocar o seu estatuto de deputado, acabou por voltar ao passeio exterior para evitar maior conflito com a GNR», lê-se ainda na nota de imprensa.
A insistência dos populares acabou por convencer a GNR que apenas deixou uma pessoa aproximar-se dos carros para entregar folhetos aos turistas, continua a CUVI. «O corpo da GNR justificou a sua intransigência com ordens superiores, que nunca apresentou, e invocou o Código da Estrada: a perturbação do fluir do trânsito ou um eventual risco para a segurança dos próprios manifestantes». Ainda assim, a CUVI considera que este argumento não é «verossímil, nem razoável, pois, a necessidade de proceder ao pagamento é que obrigava os carros a pararem e acumularem-se uns atrás dos outros». Algo que os membros da CUVI reclamam que nunca aconteceu noutras manifestações, em que a GNR esteve presente.