A especulação imobiliária, a par da urbanização crescente do país, têm resumido a ideia de progresso e de empreendedorismo.
Construir, sim. Mas não só em tijolo e cimento. A especulação imobiliária, a par da urbanização crescente do país, têm resumido a ideia de progresso e de empreendedorismo.
O tão famigerado crescimento económico muitas vezes não passa de mais uns pilares e patamares. Juntamente com o turismo. Contudo, ao contrário do que defendem os liberais, o aumento no mercado da oferta de casas, no presente, não resolve o problema da falta de habitação.
Estamos é a construir para as reformas douradas para as quais Portugal é sinónimo de paraíso, como proclama o famoso designer Philippe Starck. Qual paraíso?!?!?!
Para ele, sim, Portugal é o país encantado do criador. Para milhares de portugueses é o trabalho diário de quem dificilmente paga as contas no final do mês e o desencantado horizonte dos muitos jovens sem perspectivas de fazer corresponder os anos de estudo a um bom emprego. Ou até sem puderem continuar os estudos, porque as famílias não conseguem suportar o preço do alojamento.
Que ideia de desenvolvimento tão errada à conta da qual vamos sacrificando a paisagem rural e urbana, o ordenamento do território, a juventude e o orgulho que nos resta. Contudo, da direita à esquerda, só ouço falar de reformas e pensões.
Somos cada vez mais um país reformado e adiado. Um país para velhos, sobretudo estrangeiros, com dinheiro para pagarem o proliferar de clínicas e hospitais privados e até beneficiar do SNS (se souberem movimentar-se).
O turismo de saúde é um dos segmentos em crescimento no Algarve. Que felicidade! Entretanto, uma grávida de Portimão tem de vir dar à luz em Faro. Se precisares de uma cirurgia esperas uns bons meses, ou então tens a sorte de ter uma cunha, porque é nessa base que conseguimos o que precisamos.
Os jovens não são convidados a emigrar como no tempo da troika e do governo Passos Coelho, mas que futuro lhes foi oferecido pelos últimos anos do governo socialista de António Costa e do PS?… Continuam a partir.
Veja-se o número de pedidos de jovens médicos que deram entrada na Ordem para poderem exercer no estrangeiro. Ou da jovem estudante de Ílhavo que foi estudar Medicina para Madrid onde conseguiu alojamento mais barato do que em Lisboa ou no Porto. Muitos, os mais ousados e inteligentes partem. Por cá, com o cartão do partido e umas cunhas talvez tenhas sorte.
A animação político-partidária vai num crescendo, é uma pré-campanha natalícia, a anteceder a primavera eleitoral. Novidades, poucas. Os discursos são a preço de saldo, com promoções para todos: aumento de reformas e salários, promoção dos professores, novas barragens (haja fé e façamos umas missas a pedir chuva), mais umas comissões e grupos de trabalho.
Questões importantes como política ambiental (preservação e expansão de florestas, gestão de recursos hídricos, harmonização da vida urbana e da paisagem rural), política demográfica (incentivos à natalidade, condição da maternidade da mulher em Portugal, acolhimento e enquadramento legal da imigração), alterações climáticas e políticas de dissuasão e combate a esta nova e terrível realidade que veio para ficar com o aquecimento global, não ouvimos debater, pois não?!…
Que caminhos para o desenvolvimento? Quais as ideias de Futuro? Onde estão os políticos de pensamento e visão? Porque não discutir ideias e um modelo de país, já agora de região também, do que somos no presente e como queremos o futuro.