A CGTP antecipa hoje uma grande manifestação em Lisboa, com entrega de um abaixo-assinado com dezenas de milhares de assinaturas, para exigir a retirada do pacote laboral.
A Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses (CGTP) espera uma «grande concentração» na manifestação nacional marcada para terça-feira, dia 13 de janeiro de 2026, em Lisboa, e vai entregar um abaixo-assinado com «dezenas de milhares de assinaturas» a exigir a retirada do pacote laboral.
A manifestação tem início marcado para as 14h30, na Praça Luís de Camões, seguindo depois para São Bento, com o objetivo de «exigir a retirada do pacote laboral».
Em declarações à Lusa, o secretário-geral da CGTP, Tiago Oliveira, antecipa uma «grande concentração em frente à Assembleia da República», onde será entregue o abaixo-assinado, recolhido «ao longo dos últimos três meses».
«Não podemos deixar que aquilo que trouxe os trabalhadores para a rua [na greve geral de 11 de dezembro] e a força que os trabalhadores deram fique sem resposta por parte do Governo», afirmou, sublinhando que, desta vez, não serão emitidos pré-avisos de greve.
A manifestação realiza-se na véspera de a CGTP ser recebida pelo primeiro-ministro, em São Bento, num encontro solicitado pela central sindical, no qual deverá também estar presente a ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social.
Segundo Tiago Oliveira, «o primeiro-ministro tem que responder àquilo que foi uma participação massiva dos trabalhadores na greve geral», referindo que o «objetivo central da reunião» é a «exigência da retirada do pacote laboral».
«Isto é que tem que estar em cima da mesa, porque foi isto que os trabalhadores exigiram com a greve geral», insistiu, acrescentando que a CGTP não está disponível «para discutir uma ou outra matéria e permitir que todas as restantes passem».
A ministra do Trabalho tem vindo a reiterar que a CGTP se colocou à margem das negociações, posição rejeitada pela central sindical, que acusa o Governo de não ter acolhido nenhuma das suas propostas e de ter «bloqueado» a discussão.
A CGTP defende ainda «uma discussão séria» que tenha em conta aquilo que considera negativo na proposta, com vista a melhorar as condições de vida e de trabalho dos trabalhadores.
O secretário-geral da central sindical deixou também críticas ao primeiro-ministro, considerando que, face à adesão à greve geral, Luís Montenegro deveria «ter contactado a CGTP no sentido de discutir o processo».
«O Governo tem que ouvir a maioria. E a maioria pronunciou-se contra o pacote laboral», sublinhou.
Apesar disso, Tiago Oliveira reafirma que, mesmo que o Governo não retire a proposta, a CGTP vai manter-se na mesa da Concertação Social para dar «voz aos trabalhadores».
À Lusa, o dirigente sindical admite ainda que a central não descarta novas formas de luta e que, em função da posição que vier a ser transmitida pelo Governo na reunião de quarta-feira ou na próxima reunião plenária da Concertação Social, «irá apresentar aos trabalhadores a proposta que entender necessária para dar continuidade à luta».
Tiago Oliveira não fecha a porta a uma nova greve geral em convergência com a UGT. «Num momento certo e quando for necessário (…) será feita a discussão que tiver que ser feita», concluiu.
Foto: Bruno Filipe Pires