Os eleitos da CDU na Câmara Municipal de Lagos, José Manuel Freire e Ana Paula Viana, alertam para o contínuo abandono e degradação da antiga cocheira de locomotivas do Terminal Ferroviário de Lagos, classificada como Núcleo Ferroviário do Museu Nacional Ferroviário.
Construída na década de 1920, a cocheira é a única do género no país, incluindo uma plataforma rotativa para a manobra de locomotivas.
Até 2020, o espaço albergava um acervo museológico com peças históricas como uma carruagem de 1912, um salão pagador de 1929, duas locomotivas a vapor inglesas do final do século XIX, além de quadriciclos, uma dresina e ferramentas ferroviárias.
No entanto, desde 2007, o Núcleo Museológico esteve aberto ao público apenas duas vezes por semana, encontrando-se agora num estado avançado de degradação.
A 30 de julho de 2022, foi assinado um protocolo entre o município de Lagos e a Fundação Nacional Museu Ferroviário, durante uma cerimónia pública no âmbito do centenário da chegada do comboio a Lagos.
O documento previa, entre outras medidas, a requalificação da cocheira e do espaço envolvente, bem como a abertura do núcleo ao público, assegurando a sua vigilância, limpeza e conservação.
Dois anos mais tarde, contudo, nada foi feito para cumprir o protocolo, deixando a população desiludida e sem explicações claras sobre os atrasos.
A CDU propôs que a Assembleia Municipal de Lagos, reunida a 2 de dezembro, delibere no sentido de solicitar à Câmara Municipal a elaboração de um relatório detalhado sobre as diligências realizadas, o estado atual do financiamento e o calendário previsto para a intervenção.
Ora, por mais que uma vez e desde há anos que a CDU e o Grupo Parlamentar do Partido Comunista Português (PCP) têm vindo a questionar o governo, a Fundação do Museu Nacional Ferroviário e a Câmara Municipal de Lagos sobre esta situação, sem que se tenha verificado qualquer alteração no sentido de proteger tão importante peça do património cultural e de memória histórica na evolução da cidade, do concelho e até do Algarve.
Em 2018, um técnico superior da autarquia de Lagos informava a vereação que, depois de ter analisado todo o processo, concluiu que «aquele espaço não é propriedade do município e só poderá ser musealizado com investimento municipal avultado não estando, para já, dentro das prioridades definidas nas linhas de ação».
Por outro lado, dizia a autarquia de Lagos que «apenas existem minutas do protocolo a estabelecer entres as partes, concluindo-se que a versão final proposta pelo município não chegou a ser formalizada» embora não adiante qualquer justificação para tal facto.
Verdade é que nem o protocolo assinado em 2022 mudou a sorte deste património que continua a não ter qualquer iniciativa que lhe dê a dignidade e o valor que merece.
