«Algarve – Economia Azul: Inovação e Fundos Europeus na Região» é o nome do livro editado pela CCDR, em coordenação com o jornal barlavento, que vai ser apresentado no NERA.
A apresentação do livro «Algarve – Economia Azul: Inovação e Fundos Europeus na Região», que reúne histórias e reportagens sobre projetos e iniciativas apoiadas pelos fundos europeus na área da economia do mar, realiza-se na segunda-feira, dia 27 de outubro, às 17h00, nas instalações do NERA – Associação Empresarial da Região do Algarve, em Loulé.
Editada pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Algarve, a obra apresenta-se em edição impressa e digital, reunindo duas dezenas de reportagens assinadas pelo jornalista Bruno Filipe Pires, que também assina a coordenação editorial, em coautoria com Pedro Duarte, atual doutorando em comunicação de ciência.
Com cerca de 80 páginas, o e-book, produzido pela Open Media/jornal barlavento para a CCDR Algarve, reúne histórias de empresas e centros de investigação que estão a transformar o conhecimento científico em soluções concretas para o futuro da aquacultura, da alimentação, da farmacologia, da biotecnologia marinha e da indústria naval.
Financiados pelo programa Algarve 2030, os projetos apresentados na obra mostram como ciência, indústria e inovação se unem no território, criando novas cadeias de valor ligadas ao mar e reforçando o papel da região na estratégia nacional e europeia para o oceano.
«Na economia azul, o conhecimento gerado no Algarve, com o apoio dos Fundos Europeus, não está apenas a resolver problemas regionais. Está a posicionar-nos na vanguarda das soluções de amanhã para a farmacologia e para a alimentação mundial», afirmou José Apolinário, presidente da CCDR Algarve e da Autoridade de Gestão do ALGARVE 2030.
O e-book apresenta um retrato vivo da região enquanto laboratório de inovação marinha. Um dos exemplos é o Inovacel, projeto que pretende substituir o soro fetal bovino — componente essencial no cultivo de células — por um produto sustentável à base de microalgas. Com taxas de sucesso entre 85% e 90%, esta tecnologia poderá transformar a agricultura celular e criar uma nova fileira alimentar e científica.
Também o Softcrab, liderado pela Atlantik Fish, em Castro Marim, ilustra a forma como ciência e economia se encontram no terreno. O projeto quer transformar o caranguejo azul, espécie invasora no Guadiana, numa iguaria gastronómica de casca mole, convertendo um problema ambiental numa oportunidade económica para os pescadores do Sotavento.
Na área da biotecnologia marinha, a empresa Sea4Us, com base em Sagres, desenvolve fármacos inovadores contra a dor crónica a partir de organismos marinhos, posicionando o Algarve como referência na biotecnologia azul aplicada à saúde humana.
O livro dá ainda visibilidade à indústria naval algarvia, com destaque para a Nautiber, em Vila Real de Santo António, e a Sopromar, em Lagos. A primeira aposta em projetos que cruzam tecnologia, defesa e sustentabilidade, consolidando a base industrial marítima da região. A segunda prepara-se para operar um travelift de 160 toneladas — o maior do país — e concluir a digitalização integral do seu fluxo de trabalho, afirmando-se como referência europeia na náutica de recreio.
A publicação destaca também o papel das instituições científicas sediadas no Algarve, como o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), o S2AQUAcoLAB, o GreenColab e o Observatório Marinho do Algarve (OMA), pilares da transferência de tecnologia e da promoção de práticas sustentáveis nos sectores da aquacultura, turismo e restauração, alinhadas com os critérios ESG.
Para Paulo Águas, reitor da Universidade do Algarve (UAlg), «o posicionamento da academia é hoje inseparável da afirmação da economia azul, conceito que traduz a valorização sustentável do oceano como motor de crescimento económico, inovação produtiva e criação de emprego qualificado».
A dimensão transfronteiriça da estratégia é sublinhada por Ramón Fernández-Pacheco Monterreal, conselheiro da Junta de Andaluzia, que defende «uma cooperação que reforce laços económicos e de amizade, remando em conjunto com o impulso do Algarve português».
Para a CCDR Algarve, esta publicação «espelha o papel da região como território-laboratório da inovação azul, onde os Fundos Europeus são alavanca para novas formas de produzir, preservar e valorizar o mar. É um testemunho do dinamismo das empresas, investigadores e instituições que estão a transformar o Algarve num território líder, através da inovação e do conhecimento».
A sessão de apresentação contará com intervenções do presidente da CCDR Algarve, do Reitor da Universidade do Algarve e dos autores das reportagens e conta com a presença das entidades envolvidas nos projetos apresentados na obra.
Poderá aceder à versão digital aqui.