«Carolina Teixeira» é o nome do novo navio palangreiro (neologismo do espanhol «palangrero») batizado, no sábado, 29 de outubro, no porto de pesca de Portimão.
António Teixeira e a sua esposa Maria de Lurdes iniciaram a sua atividade com um pequeno barco de redes, nos anos 1980, em Ferragudo. Com visão de futuro, iniciaram a Pescarade, no ano 2000, e construíram o primeiro palangreiro de superfície, na senda do que fazem os vizinhos espanhóis. O «Carolina Teixeira» é o terceiro da frota e tem o nome da neta que nasceu pouco antes do armador ter perdido a esposa. Por isso, colocou um grande painel na ponte de comando do navio, com uma foto das duas e a legenda «as mulheres da minha vida», em jeito de homenagem.
O navio, com 27 metros de comprimento, foi reconstruído praticamente de raiz em Vigo, com base no casco de um embarcação de transporte de atum, com 20 anos de idade. A reconversão e modernização representou um investimento de mais de um milhão de euros, projeto que deverá beneficiar de apoios comunitários, ao abrigo do programa Mar2020 para a inovação.
Equipado com a mais moderna tecnologia de apoio à pesca à linha, em mares longínquos, dificilmente o «Carolina Teixeira» voltará a ser visto em Portimão, no futuro, já que a sua base logística será Vigo. Está previsto operar, para já, nos Açores. No entanto, poderá rumar a outras latitudes, caso não encontre naquelas águas peixe em quantidade e qualidade suficiente para satisfazer a sua quota.
A ponte de comando
Os espadartes e os atuns são o objetivo principal, embora este tipo de pesca também capture anequins, tintureiras, espadins e outras espécies que vão comer o isco.
A tripulação é composta por 13 elementos, sendo dois portugueses – o mestre e o chefe de máquinas. O segundo mestre é espanhol, e os pescadores, na maioria, de nacionalidade indonésia.
A embarcação tem instrumentos avançados de navegação e apoio à pesca. Através de fotografias de satélite que mostram a temperatura da água, a concentração de plâncton e fitoplâncton e outras variáveis que determinam as condições de mar, um mestre experiente consegue detetar as zonas mais propícias para lançar as artes, em tempo real.
O momento do batismo
Tal como os outros navios da Pescarade, o «Príncipe das Marés» (27m) e o «Alma Lusa» (45m), que pescam em Cabo Verde e no Índico, respetivamente, as únicas ligações ao Algarve são o brasão de Ferragudo que o navio exibe na proa e, o facto da sede social do armador, estar na mesma freguesia.
O filho João Teixeira, responsável pela complicada logística que estes navios acarretam, explicou ao «barlavento» como se processam as operações. «O navio tem capacidade para 130 mil litros de gasóleo e para armazenar 120 toneladas de peixe ultracongelado, o que significa dois meses e meio a três meses de campanha, completando 40 lances em 40 dias. O tempo restante é gasto em viagens, fuga aos temporais e procura de zonas propícias à pesca. A partir de Vigo são despachados os contentores com as encomendas feitas pelo mestre, com dois meses de antecedência: comida, isco e utensílios de pesca. O pescado vem para Vigo, onde é comercializado, em navios porta-contentores».
Zona de trabalho e arcas frigoríficas
Para quem não está familiarizado com a palavra, palangre é o nome dado à «pesca com aparelho», como vemos em Alvor ou na Fuzeta, utilizando artes que se assemelham a caixas com muitos anzóis à volta. Há duas variedades: de fundo ou de superfície. São utilizadas de acordo com as espécies que se pretende capturar. No caso do «Carolina Teixeira», é usado o palangre de superfície.
Explicado de forma simples, o navio solta um cabo, chamado a «linha-mãe», com 60 milhas de comprimento. É desenrolado com o navio a navegar, e, a distâncias regulares, que rondam os 80 metros de separação, é colocada uma linha, o estralho, com um anzol. Este intervalo pode variar, e é pré-definido pelo mestre num computador, o qual informa os pescadores, através de uma ordem verbal, quando os devem colocar o estralho, num total de cerca de 1200. De 10 em 10 anzóis, é colocada uma boia pequena. A cada 10 boias pequenas é colocada uma maior e a cada 10 boias maiores é adicionada uma boia GPS, que permite recuperar toda a arte, mesmo que a «linha-mãe» se parta, por qualquer motivo ou inesperado.
Estralhos e anzóis da pesca do palangre de superfície
Esta operação tem início a meio da tarde (por volta das 15 horas), ficando a arte no mar, durante toda a noite. De manhã, tem início a recolha do palangre. O peixe é libertado dos anzóis e processado de seguida. A tripulação retira as vísceras e inicia a ultracongelação rápida em túnel. De seguida, o pescado é pré-embalado e protegido com material plástico especial, etiquetado e armazenado no porão frigorífico. Por esta altura, recomeça o lançamento do palangre, para nova captura. O «Carolina Teixeira» foi batizado na presença de Isilda Gomes, presidente da Câmara Municipal de Portimão do secretário de Estado das Pescas José Apolinário, e do presidente da Junta de Freguesia de Ferragudo Luís Alberto.
António Teixeira, Isilda Gomes e José Apolinário





