Foi um pequeno périplo, mas suficiente para Edgar Silva encontrar no Algarve a prova que «Portugal tem futuro. Não está condenado ao fracasso, nem pode continuar a ser um país adiado. Tem potencialidades e tem recursos endógenos. Do ponto de vista económico, está ao nosso alcance desenvolver oportunidades de criação de riqueza. Mas são os interesses estrangeiros que estão a querer apropriar-se desses recursos», disse o candidato do Partido Comunista Português (PCP) ao «barlavento» na quarta-feira, 18 de novembro. Durante a manhã, Silva reuniu com mariscadores em Faro e Olhão. Ficou a conhecer problemas como a falta de controlo sanitário das ostras importadas de França para a Ria Formosa, e a incerteza no atual processo licenciamento de viveiristas. Questões que «resultam de erradas políticas de governo, mas também do facto de os órgãos de soberania, incluindo o Presidente da República, não se terem empenhado na defesa do interesse nacional, da capacidade produtiva nacional e regional». Sobre o temporal que atingiu Albufeira, Silva considerou que «a declaração de calamidade pública impunha-se para o desenvolvimento de respostas solidárias, resolutivas e imediatas». Questionado sobre o atual momento político, disse acreditar que «temos razões para ter esperança» num «novo ciclo político».
No dia seguinte, 19 de novembro, Marisa Matias sublinhou em Faro as ideias-chave da sua candidatura apoiada pelo Bloco de Esquerda. «Foi-nos dito que quem está desempregado é porque não foi suficientemente empreendedor. Ou porque não quer trabalhar. Que os pobres, na realidade, são um problema para a caridade resolver. E que o Estado Social, que nos trouxe para o primeiro mundo, que conseguimos construir e que sempre conseguimos pagar, é agora uma despesa incomportável. Sabemos que nada disto é verdade. É uma questão de escolhas políticas. E sabemos que é também na candidatura à Presidência da República que se fazem estes debates fundamentais», disse perante uma plateia composta por militantes e curiosos. Natural de Coimbra, 39 anos de idade, eurodeputada, Matias disse ao «barlavento» que o facto de não haver mulheres candidatas deste 1986 «mostra bem o que ainda está por fazer na democracia portuguesa». Aproveitou ainda a oportunidade para destacar o trabalho do recém-eleito deputado portimonense João Vasconcelos. «Ele já nos informava sobre os problemas da região, já tínhamos essa articulação. Mas agora é muito importante que a sua voz esteja representada no Parlamento, pois é alguém que se tem batido muito pelos interesses do Algarve como muito poucas pessoas no quadro da política ativa».