Imagine que de repente apenas vê o mundo cinzento. Ou então apenas consegue distinguir as cores claras das escuras. Não consegue ver as horas no relógio de pulso. Será com certeza, assustador.
Foi o que aconteceu a Volker Hans Blocksiepen, um alemão de 63 anos, de férias em Portimão. «Vim ao hospital no dia 28 de outubro, porque estava cego. Não conseguia ver nada. No dia 30, fiz o primeiro tratamento na Câmara Hiperbárica» instalada no Hospital Particular do Algarve, em Alvor. Na primeira sessão apercebeu-se que no interior, «há umas letras com vinte centímetros e apenas conseguia lê-las a uma distância de dez centímetros», contou ao «barlavento». Hoje, já consegue fazê-lo a uma distância de seis metros, distingue cores, e está a redescobrir a região com outro olhar. «Foi um milagre», resumiu este alemão formado em física, que não tem dúvidas de que se este episódio tivesse acontecido tal qual ocorreu no Algarve, de forma inesperada e imprevisível, no seu país de origem, muito possivelmente teria cegado irreversivelmente. Isto porque talvez não tivesse tido a sorte de ter um equipamento tão especializado como a Câmara Hiperbárica acessível. Também o lado humano merece elogios deste turista. «São muito qualificados. De facto, o equipamento técnico deste hospital está num nível muito alto», acrescentou, comparando que na Alemanha, «talvez seja possível encontrar algo semelhante na universidade». Ao «barlavento», Fátima Rodrigues, uma das médicas que assistiu Volker Hans Blocksiepen, explicou ao «barlavento» que quando deu entrada na unidade, não via dos dois olhos. Depois de ter sido observado pela oftalmologia, o médico sugeriu uma terapêutica que «consiste em realizar um tratamento com oxigénio puro. Ou seja, o doente está sentado numa cadeira» dentro da estrutura, num «ambiente que suporta a pressão mais alta do que a atmosférica. Depois é-lhe colocada uma máscara, em que inala esse oxigénio puro», esclareceu a médica. Este turista alemão teve um AVC do olho, mas como cada caso é um caso, há diferentes especificidades na duração do tratamento. A Câmara Hiperbárica é útil também no tratamento de casos de surdez súbita, feridas crónicas ou de doentes diabéticos, além dos acidentes de mergulho, e em casos de intoxicação por monóxido de carbono.
Blocksiepen já diz algumas palavras em português, embora com um toque de sotaque alemão. Admite querer aprender a língua, até porque não descarta a possibilidade de um dia vir morar para este país. Para já, ficará enquanto durar o tratamento no HPA, um espaço que considera ser um dos melhores da Europa.