Enganamo-nos, na medida em que a Polis, na pessoa do seu presidente, apresentou um pedido de aclaração da sentença que impedia qualquer ação nas ilhas barreira, por causa da preservação do habitat dos camaleões. Invoca a Polis que tem prevista ações de dragagem e desassoreamento na ria e na costa e que receia que estas ações no ambiente líquido possam pôr em causa os bichinhos. Tadinhos deles! Dos camaleões, claro! Fica à imaginação do leitor descobrir a que tipo de camaleões nos referimos! Naturalmente que esta dificuldade interpretativa do senhor presidente da Polis (ou será excesso de zelo?) tem que ser acompanhada da conivência, ainda que silenciosa dos chefes de Lisboa. Refiro-me ao inefável senhor ministro do Ambiente e ao senhor engenheiro do Ambiente, ex-secretário de Estado no Governo anterior e agora representante deste Governo na Polis. Parece estar a ouvir o saudoso Vasco Santana «Chapéus há muitos!» e, acrescento eu, «E camaleões também!». Então senhor ex-secretário de Estado, o senhor que é tão suscetível às ações ridículas, o que acha deste pedido de aclaração? Mal habituados a acatar as decisões do Tribunal, o governo e o senhor presidente da Polis, ao arrepio (creio eu!) das autarquias que participam na estrutura de gestão da referida entidade, atacado de incomensuráveis preocupações ambientais, como convém, receia que qualquer ação, ainda que no mar ou na ria, possa pôr em causa os bichinhos que há poucas semanas não se importava de aniquilar com proteção de um parecer «sábio, rigoroso e equilibrado» de uma dirigente do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas. Que se saiba, mas estas coisas do ambiente têm os seus segredos, os camaleões não vivem na água nem saber nadar! Se a dúvida interpretativa da sentença é meramente formal e resulta de um lapso de capacidade académica, nada melhor que a frequência de um curso das Novas Oportunidades, depois de outubro. Se é um problema de má lidação com o bom senso e a ponderação, que se exige a quem desempenha cargos públicos, então esperemos reações oficiais a esta desvelada preocupação do senhor presidente da Polis. Poupem-nos, por favor, de tanta raivinha e outros sentimentos negativos. E porque, ao terminar se exige sempre um final feliz, eivado de profunda generosidade e evangélica paciência, proponho uma lipoaspiração a certos órgãos humanos, nomeadamente fígado e bílis, para alívio de suas maleitas. Nós por cá tudo bem, disponíveis para ofertar umas pastilhitas para a azia. *Cidadão