Lagoa quer fazer jus ao título de «Cidade do Vinho 2016» de forma original, e por isso a Câmara Municipal tentará entrar para o famoso livro internacional Guinness World Records com o maior brinde do mundo, a realizar durante a Feira de Artesanato, Turismo, Agricultura, Comércio e Indústria de Lagoa (FATACIL), entre 19 e 28 de agosto.
Não será, contudo, com um vinho qualquer a encher os copos. Já que se tenta bater um recorde mundial, será este o destino das 3200 garrafas de vinho retiradas na sexta-feira, 1 de julho, do fundo das águas do Arade, nas Fontes de Estômbar.
A emersão do vinho que foi submergido no local em fevereiro passado, atraiu curiosos e convidados. No entanto, para desilusão de muitos dos presentes que ansiavam provar o experimentar o néctar envelhecido debaixo de água, nem uma única garrafa foi aberta.

Após um mergulho de 141 dias, o primeiro passo para recuperar o vinho foi esvaziar a pequena lagoa onde estagiou submerso. Uma grua portátil içou as grades, com cuidado para não partir o frágil conteúdo. Enlameadas e com alguns limos, as garrafas foram levadas pela autarquia, para testes de controlo de qualidade. Apesar de toda a logística ter ficado a cargo da Câmara Municipal houve um contributo importante da Única – Adega Cooperativa de Lagoa, que forneceu as 3200 garrafas para esta experiência, igualmente… única.
«Foi com prazer que a adega aderiu a este projeto» apesar de atravessar «uma fase difícil», admitiu Fernando Leitão, presidente da direção da Única. Sem sócios, não há uvas. E sem este fruto não há vinho. Mas a adega «nunca recusa um desafio» e a verdade é que a imagem das garrafas, após emergirem do fundo da lagoa deixa muita curiosidade no ar, reforçou.
Sobre o processo, o esclarecimento ficou a cargo de João do Ó Marques, enólogo desta adega. «Este vinho é de 2014 e é feito com quatro castas: Aragonês, Periquita, Cabernet e um toque de Alicante Bouschet. A maioria é Periquita e Aragonês. Como somos uma adega cooperativa, os nossos associados são pessoas de uma certa idade, portanto as nossas vinhas são ainda mais velhas», quando comparadas com a maioria dos outros produtores do Algarve, explicou.
São castas como a Periquita também denominada como Castelão que permitem, porém, que o vinho tenha mais potencial para envelhecer, contrapôs. «Às vezes, ao princípio podem parecer um pouco ásperos», mas é essa característica «que conta para envelhecer o vinho».
O sabor denuncia «os taninos que lhe dão corpo», justificou. Segundo o enólogo, é o fator que permite o envelhecimento do vinho em segurança. Já o Cabernet e o Alicante acrescentam «um toque de modernidade», considerou.
Se tudo correu bem, terá «uma excelente acidez, um bom PH, que também permite o vinho envelhecer com saúde e acho que tem todas as qualidades» necessárias para ser um produto de qualidade. «Estagiou durante 14 meses em barricas de carvalho francês, foi engarrafado e estagiou aqui nas águas de Estômbar», tendo 14 graus de teor alcoólico. O fundo da lagoa simulou as condições ideais de envelhecimento, quer a nível da temperatura, da humidade e até da pressão, porque se mantêm constantes. Numa adega, recriar e manter as condições ideais já é mais difícil.
A iniciativa, no âmbito do «Lagoa Cidade do Vinho 2016», galardão atribuído pela Associação de Municípios Portugueses do Vinho, é apenas uma de várias ações com o objetivo de promover os vinhos do concelho e do Algarve. A intenção é também promover o território de Lagoa, «enquanto destino de excelência do ponto de vista turístico, gastronómico, enoturístico».
Tenha ou não o mergulho corrido bem, este vinho já provou as suas virtudes. «Ganhou uma medalha de prata num concurso internacional em Londres», afirmou o vereador Luís Encarnação, que aproveitou para enaltecer o empenho de Carlos Garcias, presidente da Comissão Vitivinícola do Algarve, nestas ações promocionais.
Resta a quem quiser provar e participar no maior brinde do mundo, esperar pela FATACIL. Serão certamente menos dias que o estágio e talvez não seja necessário mais mergulhos…