Bombeiros do Algarve ameaçam racionar os serviços. Soldados da paz temem a inoperacionalidade devido ao preço dos combustíveis.
A Federação dos Bombeiros do Algarve está preocupada com o impacto da subida do preço dos combustíveis no serviço de transporte de doentes não urgentes, advertindo que pode racionar ou deixar de realizá-los se a situação não melhorar.
O coletivo, que congrega todas as associações humanitárias de bombeiros voluntários e corpos da região, analisou o impacto que o aumento do custo dos combustíveis está a ter nas associadas e conclui «um cenário de grande preocupação e apreensão quanto ao futuro próximo, no que respeita a assegurar as suas principais atividades».
«Caso a situação não se altere, começa mesmo a perspectivar-se a necessidade de racionar serviços, o que implica que o transporte de algumas pessoas para consultas ou tratamentos, os chamados transportes não urgentes, poderão deixar de ser realizados » alerta a Federação.
«As repercussões que esta situação pode ter no dia a dia dos bombeiros são muito gravosas e, por isso, merecem uma atenção discriminatória positiva por parte do governo. O aumento do custo dos combustíveis a que se junta a necessária atualização das comparticipações do Serviço Nacional de Saúde (SNS) para o transporte de doentes, que, saiba-se, não é atualizada desde 2012, com um custo então fixado em 0,51 euros/ quilómetro, uma situação incomparável com os custos hoje praticados e que carece de uma atualização urgente», afirma a Federação dos Bombeiros do Algarve em nota enviada às redações.
Os bombeiros algarvios consideram mesmo que estão a ser «desconsiderados» pelo governo, atendendo ao papel que desempenham no quadro das competências da Proteção Civil, bem como da responsabilidade social para com as populações que servem.
«Estas associações sobrevivem da boa relação que mantêm com as autarquias. Nem mesmo durante os últimos dois anos, em que o país foi assolado pela pandemia da COVID-19», houve uma atenção por parte do governo. «Há algumas diferenças entre as corporações de todo o país, mas na verdade todas passam por problemas semelhantes que vão das dificuldades em matéria de responsabilidade salarial com os milhares de pessoas que empregam, aos custos de manutenção e aquisição de veículos e equipamentos de proteção individual para os seus operacionais».
Os bombeiros reivindicam ainda, entre outras medidas, «autorização para uso do gasóleo profissional, a devolução do IVA em combustíveis às associações humanitárias de bombeiros e a atualização dos valores estabelecidos, por quilómetro percorrido, em atividade de transporte de doentes urgentes e não urgentes».
Em suma, «os bombeiros querem ver refletidos em atos e decisões políticas inequívocas, os reconhecimentos tantas vezes realçados em palavras e discursos, na sua maioria no verão ou durante o período de incêndios, em que a esmagadora maioria dos compromissos não têm saído cumpridos».
