O Bloco de Esquerda (BE) do Algarve está preocupado com o futuro da envolvente da unidade de produção de cimento da Cimpor, em Loulé. A fábrica está em processo de lay off de trabalhadores e o eventual encerramento «apesar de nos livrar de um problema ambiental, deixará a região mais pobre».
Esta força política alerta para a necessidade «de serem tomadas medidas de defesa do ambiente, em particular a recuperação do espaço de exploração das pedreiras, e o desmantelamento do parque industrial», caso estes ficarem sem uso num futuro próximo.
«Estes trabalhos deverão utilizar a mão-de-obra disponível e constituir um exemplo de recuperação de um espaço que, há muito tempo tem vindo a constituir uma chaga na nossa paisagem», considera o BE.
Desde o início da queda da construção civil no Algarve que esta fábrica se debatia com dificuldades. Encomendas do estrangeiro, exportadas para o norte de África e a partir do (também fragilizado) porto comercial de Faro foram o único e último balão de oxigénio para esta unidade.
De facto, já em julho, os deputados João Vasconcelos, José Soeiro e Isabel Pires, do Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda, questionaram o governo, através do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, sobre a suspensão dos contratos de trabalho dos trabalhadores da Cimpor no Algarve.
A tutela respondeu a 16 de agosto, esclarecendo que «das diligências realizadas pela Autoridade para as Condições do Trabalho (ATC), e com fundamento da crise empresarial, foi dado início ao procedimento de suspensão de contratos de cerca de 60 trabalhadores, por um período previsto de dois a seis meses, não se verificando irregularidades».
Para o BE, «a entrega desta empresa aos interesses estrangeiros vem agora mostrar que o país fica mais pobre e incapaz de produzir muitos dos bens que necessita para o seu desenvolvimento», e na passada quarta-feira, 30 de novembro, foi pedida uma reunião com a administração da empresa para fazer um ponto de situação e esclarecer os rumores de encerramento.
A unidade de Loulé iniciou a atividade em setembro de 1973, com 300 trabalhadores e uma capacidade de produção no forno de 1150 toneladas de clínquer/ dia.
Em 2011, estava apta a fazer 1950 toneladas de clínquer/ dia com 108 trabalhadores. A linha produzia três tipos de cimento.
O centro dispõe de três pedreiras com licenças de exploração. Uma pedreira de calcário no Cerro da Cabeça Alta, com área total de 218,5 hectares e área de exploração de 120 hectares; uma pedreira de xisto na vizinhança de Querença, a 20 quilómetros da fábrica, com área total de 15,8 hectares e área de exploração de 15,4 hectares; e por fim, uma pedreira de gesso, nos arredores da aldeia de Tor, a 12 quilómetros da fábrica com área total de 8,4 hectares e área de exploração de 4,9 hectares.
O centro de produção de Loulé cumpre toda a legislação ambiental, sendo certificado pela norma ISO 14001 desde 2003. Obteve o registo no EMAS em 2005, sendo a primeira cimenteira em Portugal a atingir este objetivo.
Em julho, o Grupo Parlamentar do Partido Comunista Português já havia questionado o Governo sobre a suspensão da produção na fábrica da CIMPOR de Loulé, alertando que «o seu impacto no concelho de Loulé e na região algarvia é mais vasto, envolvendo diversas atividades, como por exemplo a movimentação de cargas a partir do porto comercial de Faro».