Esta terça-feira de manhã, começou uma descarga de segurança na barragem de Odeleite, que estava a 98 por cento do volume total, seguida de outra no Beliche, também quase cheia.
As sirenes tocaram durante quatro minutos para avisar a abertura das comportas, um aviso sonoro que dá início ao processo controlado de descarga de água, para evitar cheias e inundações.
Junto à barragem de Odeleite, no concelho de Castro Marim, muitos foram os populares que se juntaram para assistir ao libertar de um caudal que desde 2018 não se via.
«É com muita satisfação que estamos neste momento a abrir as comportas, pois acabámos de passar por um longo período de seca. Hoje chegámos a uma cota tal que, por questões de segurança, temos que libertar volume, até porque a água continua a entrar na barragem e por isso mesmo a descarga vai continuar» ao longo dos próximos dias, disse aos jornalistas Teresa Fernandes, porta-voz da Águas do Algarve.
Agora, «vamos gerindo os níveis de armazenamento e a forma como a ribeira começa a subir. Começámos com cerca de 90 metros cúbicos (m3) por segundo», com a barragem cerca de 99 por cento da sua capacidade total.
«Isto seria uma operação normal e de rotina», diz, se os últimos invernos tivessem garantido chuva.
Libertar água, depois do que a região viveu, pode parecer estranho, mas «as escorrências continuam a entrar e é preciso manter o nível de segurança da barragem. Este cenário era impensável há alguns meses e, felizmente, deixou de o ser. Estas últimas chuvas têm sido abençoadas, permitam-me dizer isto, porque de facto é muito gratificante estarmos agora com esta abundância», afirma Teresa Fernandes.
Estão previstas mais chuvas ao longo dos próximos dias, «portanto, vamos continuar a descarregar».

O mesmo cenário repetiu-se ao meio-dia de hoje, na Barragem do Beliche, onde também vários populares fizeram questão de assistir à abertura das comportas.
Teresa Fernandes diz que apesar de a situação ser diferente no Barlavento algarvio, «também os níveis das barragens estão a subir, o que é bom e esperemos que possamos, daqui a uns dias, dizer que Odelouca está cheia. Posso dizer que subimos 20 centímetros esta última noite que passou».
Sobre a gestão das reservas após a primavera, a porta-voz da Águas do Algarve estima que a água armazenada chegue para dois anos.
«Neste momento, estamos a libertar água, o que é excelente. Mas continuamos a acautelar o abastecimento da região, a prevenir e a sensibilizar para a poupança de um recurso que amanhã pode faltar».
Na última sexta-feira, dia 14 de março o governo anunciou, em Faro, que as restrições ao consumo de água no Algarve vão ser aliviadas equiparando todos os setores, com a imposição de reduções de cinco por cento à agricultura, sector urbano e turismo.





