A apresentação da «rede de teatros do Algarve AZUL» decorreu no sábado, 9 de janeiro, no Teatro Municipal de Faro. Durante cerca de uma hora Joaquim Guerreiro (diretor do Teatro das Figuras de Faro), Rogério Bacalhau (presidente da Câmara Municipal de Faro), Alexandra Gonçalves (diretora regional da Cultura do Algarve) e Dália Paulo (da Divisão de Cultura e Património da Câmara Municipal de Loulé) expuseram os benefícios da criação desta rede de teatros para a região.
Joaquim Guerreiro sublinhou que o seu objetivo primordial é promover a circulação artística na região, rentabilizando as infraestruturas existentes e reforçando a oferta cultural regional. Outras das ideias principais é que não haja «choques» entre os programas dos diversos espaços culturais. Até aqui, cada teatro tem calendarizado as suas atividades de forma avulsa, fazendo muitas vezes concorrência entre si, com prejuízo do público interessado.
O nome «AZUL» surgiu do «mar, do Algarve e do sul», referiu. Antes de encetarem esta iniciativa «inteiramo-nos do que existia no país, em termos de redes de municípios, equipamentos e programadores», pelo que a Rede de Teatros do Algarve resulta de um trabalho iniciado em 2014. Dália Paulo, uma das principais dinamizadoras do projeto, sublinhou que «nos últimos dois anos quebramos barreiras e desconfianças. Quebramos o «C» de concorrência e passámos ao «C» da confiança e colaboração». «Se não estivermos unidos, não conseguimos. Temos de deixar as capelinhas. Hoje é um dia feliz mas cabe-nos a nos que não seja só uma linha na história do Algarve. As redes fazem-se de pessoas», sublinhou.
Para já, a Rede de Teatros do Algarve apostará sobretudo em três eixos: apoio à criação, programação e formação. O apoio à criação pretende valorizar e densificar a criação cultural na região, apoiando estruturas de cariz amador. A programação resultará numa concertação de agendas e a formação pretende contribuir para qualificar o tecido artístico regional.
A «AZUL» vai ainda lançar o desafio «Convite à criação» destinada a estruturas artísticas de cariz amador sediadas na região, com vista à conceção e apresentação de uma criação original no âmbito das artes performativas. O prazo limite de entrega das propostas é dia 28 de fevereiro e tem destinada uma verba no valor de sete mil euros.
Inicialmente fazem parte desta Rede de Teatros o Auditório Municipal de Albufeira, Teatro Municipal de Faro, Auditório Municipal de Lagoa, Centro Cultural de Lagos, Cineteatro Louletano, Auditório Municipal de Olhão, Teatro Municipal de Portimão (TEMPO), Cineteatro de São Brás de Alportel, Teatro Mascarenhas Gregório em Silves, Teatro António Pinheiro, em Tavira, e Centro Cultural António Aleixo, em Vila Real de Santo António. Porém, é provável e expectável que ao longo do tempo a rede aumento o número de parceiros.
Rogério Bacalhau defendeu que «precisamos de nos organizar mais e de ter uma maior cooperação a nível de concelhos. A nossa principal economia advém do turismo em alguns meses mas precisamos de combater a sazonalidade. E deve ser combatida com áreas específicas como o golfe, mas também com as áreas da cultura, património e gastronomia. Há público disposto a usufruir dos nossos equipamentos culturais». E relembrou ainda que o município está a trabalhar para «ser Capital Europeia da Cultura em 2027. Mas só o seremos se conseguirmos agregar todos os municípios e agentes. Queremos envolver todo o Algarve pois só assim teremos êxito. Deixo aqui o repto», concluiu.