A situação em que se encontra o Centro Hospitalar do Algarve (CHA) motivou a visita da líder do CDS-PP Assunção Cristas, na segunda-feira, dia 16 de janeiro, à unidade de Portimão. Depois de uma reunião com representantes do Conselho de Administração do CHA e uma rápida visita às instalações, Assunção Cristas mostrou-se preocupada com a falta de recursos humanos e dificuldade em atrair e fixar profissionais. Ficou ainda a saber qual o ponto de situação da reversão da fusão das unidades hospitalares do CHA e o impacto da aplicação das 35 horas semanais.
No entanto, uma das preocupações da líder centrista foi saber também qual a contribuição deste Centro Hospitalar para o endividamento de 27 milhões por dia, no último ano, no total de hospitais EPE.
«Em princípio, este Centro Hospitalar terá um impacto diminuto ou contribuiu pouco para esse endividamento, mas é uma matéria que perguntarei em todas as visitas que fizer, porque são dados objetivos, públicos. E é importante perceber quando é que esta tendência de crescimento de dívida termina», afirmou Assunção Cristas.
A resposta que obteve nesta segunda visita a hospitais, tendo sido a primeira ao de Santa Maria (Centro Hospitalar Lisboa Norte) é que, no caso algarvio, houve uma tendência «para aumentar prazos de pagamento», uma realidade que preocupa a líder.
Além desta questão, durante a reunião, foi efetuada uma avaliação das principais dificuldades do CHA, que de resto têm vindo a ser noticiadas em diversas alturas no último ano.
«Há uma questão recorrente de dificuldade de recursos humanos de médicos e enfermeiros», com «uma carência grande ao nível dos médicos especialistas que se traduz depois numa dificuldade também na prestação de serviços de qualidade nas várias áreas da medicina», contou ao jornalistas, deixando a promessa de acompanhar esta questão «com muita atenção».
No entanto, explicou que, «às vezes, não é a dificuldade em atrair o médico, mas garantir que nesta região há um desenvolvimento económico sustentável, duradouro, relevante, que permita que toda uma família se desloque», considerou.
Ou seja, segundo Assunção Cristas, em alguns casos, os médicos até teriam disponibilidade para ingressar no CHA. O problema é que os cônjuges não conseguem encontrar um emprego compatível com a área de atividade profissional que desenvolvem, ao contrário de outras zonas do país.
«Há naturalmente muitas razões, mas esta é uma das que foi sinalizada por vários dos intervenientes como estrutural para a dificuldade que existe em ter gente neste hospital a trabalhar», exemplificou.
Outro dos temas que tem vindo a ser pensado e debatido é a hipótese de separação das unidades hospitalares de Portimão, Faro e Lagos que integram o CHA. «Já percebemos em que ponto é que essa questão está. O que há é a avaliação de um estudo elaborado» pelos responsáveis pela saúde no Algarve, afirmou ainda.
Essas informações prestadas na reunião servirão também agora para que o CDS-PP coloque a debate no Parlamento com a tutela esta situação. «Como é sabido estamos a formar a nossa opinião. Há aqui uma ideia que quisemos conferir com esta informação. A junção, pareceu-nos, não é exatamente voltar tudo ao que estava. Pode haver uma partilha de serviços de apoio, uma necessidade de reforço da parte assistencial médica e de enfermagem», adiantou.
Assunção Cristas sublinhou ainda a ligação do CHA à Universidade do Algarve, que poderá tornar-se uma referência na região, podendo permitir criar perspetivas de carreira, atraindo profissionais para o CHA, problema que continua sem solução eficaz
Deputados do PSD requerem visita ao CHA
Os deputados do Partido Social Democrata Cristóvão Norte, José Carlos Barros, Miguel Santos, Ângela Guerra e Luís Vales viram aprovado por unanimidade, na segunda-feira, dia 16 de janeiro, um requerimento para visitar o Centro Hospitalar do Algarve.
Segundo o documento, dirigido a José de Matos Rosa, presidente da Comissão de Saúde, o Grupo Parlamentar do PSD pediu que essa Comissão deliberasse uma visita ao Algarve, até ao final de março, para aferir o estado da prestação de cuidados de saúde na região.
Já no início de 2016, aquela Comissão tinha visitado as unidades de saúde, altura em que o Grupo Parlamentar do PSD assumiu a intenção de voltar a efetuar uma nova visita um ano depois, ou seja, em 2017, para «monitorizar os progressos que se afirmavam prometidos», lê-se no documento.
Tendo em conta a deslocação do ministro da Saúde Adalberto Campos Fernandes, em março de 2016, ao Algarve, onde o governante se comprometeu a resolver as dificuldades que afligem a região devido à falta de médicos crónica, e que até à data ainda não se verificou, os deputados querem ver a situação do CHA in loco.
«No último ano, ocorreu um conjunto de episódios revelador de um aumento e agravamento das falhas no funcionamento dos serviços prestadores de cuidados do Serviço Nacional de Saúde localizados no Algarve», justificaram.
Os deputados destacaram ainda a carta de demissão de alguns dos principais responsáveis clínicos dos hospitais do Algarve, que alegaram ausência de «condições necessárias» para continuarem nos cargos, a falta de «resolução de problemas estruturais» e a falta de previsão de uma solução efetiva.
Os social-democratas apoiam-se ainda em dados oficiais da Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS) que mostram que, até outubro passado, o CHA registou «o segundo mais alto índice de mortalidade dos 40 hospitais do país, o pior índice de demora média em Portugal, uma das piores percentagens de reinternamento no prazo de 30 dias». Foi ainda o centro onde «se registaram mais casos de utentes transportados para fora da região para terem acesso aos cuidados que necessitam. Ora, em muitos casos, tal colide com a urgência da intervenção, pois as janelas terapêuticas não se compadecem com esse tempo de espera. Esse facto, por exemplo na especialidade da neurocirurgia, determina o aumento da morbilidade», referiram os deputados autores do requerimento à Comissão de Saúde.
