A Associação de Ginástica Rítmica de Portimão, no terceiro ano de existência, foi a solução encontrada para não deixar sem atividade as ginastas do Grupo Desportivo da EMARP. A professora Katia Mileva, que liderava as atividades, desde 2002, continuou a liderar os treinos no novo clube.
Regressaram, muito recentemente, ao Pavilhão Municipal, finalmente concluído, com melhores condições para a prática desta modalidade. Apostam na formação que começa logo em tenra idade, com crianças entre os 4/5 anos, começando a desenvolver as suas capacidades a partir do zero, durante cerca de três anos, antes de estarem prontas para começarem a competir.
De momento, na competição, Associação de Ginástica Rítmica de Portimão tem um grupo de oito meninas de seis anos, além de duas iniciadas, dois juvenis e um júnior.
Segundo Katia Mileva, esta «é uma disciplina muito exigente, obrigando a treinos diários de quatro horas. A preparação passa pelo ballet, exercícios de flexibilidade, preparação física, domínio de vários aparelhos e composições. É uma disciplina individual e as ginastas repetem os exercícios até à exaustão, mecanizando-os de uma forma que se torna natural e parece simples».
Essa exigência em horas leva a que a maioria das ginastas não continue, em seniores, porque não conseguem conciliar os treinos com a exigência dos estudos universitários. O «barlavento» conversou com as ginastas que são, neste momento, as mais representativas da AGRPortimão.
Bia Dias, 15 anos, júnior, começou a praticar com quatro anos. «E comecei a competir, que me lembre, com sete ou oito anos». Se a memória não falha, o primeiro bom resultado aconteceu «no primeiro Nacional, em que fiz terceiro lugar em maças», ainda não tinha 10 anos.
Contudo, «à medida que vou crescendo, vai-se tornando mais difícil, pelas exigências que vão surgindo. Temos de trabalhar ainda mais e conciliar com a escola. Como já estou no 9º ano e tenho aulas à tarde, há dias em que só posso treinar duas horas. Mas treino quatro horas aos sábados de manhã», explicou.
Bia considera-se boa aluna e diz que o desporto ajuda a «distrair» e «faz esquecer um pouco a escola» e as exigências dos estudos. «O cérebro descansa e ajuda a aprender melhor as matérias».
Dália Brokhnya, de 11 anos, arrancou o primeiro com a bola e o segundo em maças, no final de fevereiro, no Torneio Nacional José António Marques, em Setúbal. Disse-nos que começou com cinco anos, como segunda opção. «A minha mãe queria que eu fizesse dança. Mas como não havia, vim para a ginástica», simplifica. Começou a competir – e a ganhar – aos seis anos. Quando lhe perguntámos se não era cansativo treinar quatro horas por dia, seis dias por semana, respondeu que já estava habituada. Tem boas notas e quer tirar um curso superior, não sabe qual, mas não quer ser treinadora, porque «é aborrecido», brinca.
Helena Chen, de nove anos, iniciou-se aos seis, influenciada por «uma amiga andava na ginástica. Fui ver e gostei». Frequenta o 4º ano do ensino básico, tem média de quatro a todas as disciplinas e bons resultados desportivos. Numa competição recente, que não soube precisar, «fiquei em segundo em livres e terceiro no geral com bola. Ainda me deram outra medalha, mas não percebi o que era». Ficámos maravilhados com o seu desprendimento e nem averiguámos qual a competição ou o porquê da tal medalha. Para quê? Apesar dos resultados, do muito esforço e das horas que investem na modalidade, encaram-na com a simplicidade e a timidez próprias da sua idade, falando dos seus sucessos como se estes fossem uma coisa natural e fácil de alcançar. Que, em boa verdade, para elas, até parece ser…