Natural de Faro, o DJ e produtor torna-se no primeiro artista cabo-verdiano a atuar no Tomorrowland e espera abrir portas ao afro house nos grandes festivais internacionais.
O DJ e produtor Danni Gato estreia-se hoje no Tomorrowland, na Bélgica, tornando-se no primeiro artista cabo-verdiano a atuar no festival, que é dos maiores de música eletrónica, uma «conquista pessoal» que espera transformar numa oportunidade internacional.
«Para mim significa muito. De onde eu vim, do Algarve, é um bocado difícil para as pessoas saírem de lá, serem reconhecidas. E estar aqui como o primeiro DJ cabo-verdiano, além de português, significa muito para mim», disse Danni Gato.
Em entrevista à agência Lusa, na cidade belga de Boom, onde hoje arranca o Tomorrowland, Daniel Fernandes (de nome artístico Danni Gato), falou numa «conquista pessoal» e num «sonho de há muitos anos realizado».
«Estou sem palavras, estou muito feliz», acrescentou o DJ e produtor à Lusa.
Natural de Faro, no Algarve, e com raízes cabo-verdianas, Danni Gato sobe esta tarde ao palco Melodia, levando ao festival a sonoridade que tem marcado o seu percurso, entre o afro house, a música eletrónica e as influências das suas origens.
Após quase 15 anos de carreira, a atuação surge também como uma oportunidade para reforçar a presença internacional de um género que tem ganhado cada vez mais espaço nos grandes palcos mundiais: «espero conseguir abrir portas para outros DJs Afro House».
Para Danni Gato, a ligação às suas origens é uma parte natural da identidade artística.
«Isso é sempre, é o que vai sair, já é natural. É o Danni Gato, as pessoas já sabem», explicou, referindo que procura manter elementos da sua herança cabo-verdiana e portuguesa na música que produz.
Sem um alinhamento fechado para a estreia no Tomorrowland, o DJ garante que pretende aproveitar o momento: «não tenho nada preparado, vou fazer na hora e aproveitar para mostrar as minhas origens».

A estreia no festival belga acontece também com o apoio da comunidade portuguesa presente no recinto.
Danni Gato revelou que espera encontrar bandeiras portuguesas e cabo-verdianas no público, num ano em que a presença portuguesa sobe para seis atuações este fim de semana.
Com participação regular em palcos internacionais, incluindo Ibiza, África, América do Sul e Europa, o DJ e produtor apontou esperar que a passagem pelo Tomorrowland possa abrir novas oportunidades: «isto também tem um poder de oferta muito grande para a Ásia, América Latina. Espero que corra tudo bem e que abra muitas portas».
Sobre a evolução da música eletrónica portuguesa, o algarvio considerou que Portugal atravessa uma fase de maior reconhecimento internacional, destacando igualmente a chegada de artistas estrangeiros ao país.
«Portugal está a ser um ponto muito referente para o mundo. É muito bom para nós, porque podemos conectar-nos com essas pessoas, esses DJs que já têm outros caminhos, outros patamares», afirmou à Lusa.
Depois da estreia no Tomorrowland, Danni Gato prepara o lançamento de um álbum e pretende dedicar-se cada vez mais à sua vertente eletrónica e afro house, mantendo a ligação às raízes que marcaram o seu percurso.
O Tomorrowland recebe cerca de 400 mil festivaleiros ao longo dos dois fins de semana e tem registado uma presença portuguesa cada vez mais expressiva, tanto entre o público como no alinhamento artístico.
Decorre entre hoje e domingo, dia 19 de julho, e entre os dias 24 e 26 de julho, em Boom.
Na edição deste ano, Danni Gato, Diego Miranda, Pette, BIIA, ØTTA, Xinobi e MXGPU fazem parte da programação do festival belga, representando diferentes vertentes da música eletrónica nacional, do house e afro house ao techno, passando pela eletrónica melódica e por formatos híbridos entre DJ set e atuação ao vivo.
Foto: Danni Gato.