Posto isto: Dizem-nos que se não houver investimento (acrescente-se, de capitalistas, em fábricas, máquinas…), não teremos crescimento económico, criação de riqueza e, assim sendo, haverá que criar as «condições» propícias a esse investimento. É certo que as máquinas, por mais sofisticadas que possam ser, não operarão por si só e não serão os investidores nas ditas a manuseá-las (já os imaginaram, por exemplo, de fato-macaco, no fundo de uma mina, a temperaturas elevadas, extraindo minério e enchendo os pulmões de pó resultante dessa extração?), havendo necessidade, para o efeito, de se recorrer àqueles que possuem como única fonte de sobrevivência a sua força de trabalho. Todavia, ainda que estes, por tal facto, passem a integrar o processo produtivo e, consequentemente, a participar no crescimento económico, esperando-se, em consequência, que fossem, nomeadamente, chamados a partilhar, duma forma justa, a riqueza nascida das suas mãos, a verdade é que as «condições» atrás referidas, passam, essencialmente, por salários mais baixos, mais tempo de trabalho e facilidade de despedimentos. Tudo isto porque, entre outros fatores, tendo a população mundial, nos últimos cem anos, quadruplicado e continuando a crescer, mão-de-obra disponível será coisa que não faltará e se as «condições» não forem aceites por uns, outros, atravessando o Mediterrâneo vindos de África ou no sueste asiático, aceitarão. A não ser que haja resposta positiva ao apelo que alguém um dia fez: «Proletarier aller Länder, vereinigt euch!». Caso contrário, num capital versus trabalho, este último estará tramado! *Advogado