São 20 quadros de vários estilos, feitos pelos alunos de artes das escolas secundárias algarvias que aderiram ao desafio lançado pela Sovereign Art Foundation (SAF), em setembro último. Os trabalhos vão ser apresentados ao público, pela primeira vez, na receção da marina de Lagos, esta sexta-feira, 24 de fevereiro. A inauguração da mostra está marcada para as 17 horas.
A iniciativa seguiu o formato de outras competições já realizadas em Hong Kong, Guernsey e Bahrein, sendo organizado no Algarve pela empresa do grupo Sovereign – Consultadoria Lda, com sede em Lagoa.
De acordo com a coordenadora do concurso Isobel Costa foram recebidos «mais de 50 trabalhos. O júri teve uma tarefa muito difícil devido à elevada qualidade técnica e à originalidade das obras. Ficámos muito entusiasmados ao verificar que, de facto, temos jovens tão talentosos no Algarve».

A organização deixa também «uma palavra de apreço a todos os professores que abraçaram o nosso desafio e que o levaram a sério e souberam incentivar a criatividade dos alunos, o que acabou por elevar bastante o nível do concurso».
Além dos trabalhos, «a descrição que os jovens fizeram das suas obras, a forma como explicaram o porquê dos temas que escolheram, retrata bem o sentimento, o esforço e a dedicação com que criaram as suas propostas artísticas», sublinhou Isobel Costa.
Por exemplo, Telma Café, 18 anos, da Patã de Cima, aluna da Escola Básica e Secundária de Albufeira, apresentou uma pintura de grande formato com o título «Os movimentos de rotação». «A arte é uma ferramenta para mim. Ajuda-me a esquecer os meus problemas, as minhas angústias e as minhas fraquezas. É com a arte que me sinto uma pessoa realizada e concretizada. É nela que foco toda a minha imaginação e origens dos meus pensamentos. A arte no sentido de poder aprofundar cada vez melhor a minha criatividade. Em suma, pinto desde os meus 12 anos e é isso que pretendo fazer para o resto da minha vida», descreveu na sinopse do trabalho.
Mariana Teixeira, 17 anos, da Luz de Tavira, surpreendeu com uma composição detalhada a que chamou «Confusão», feita em caneta posca sobre tela. «A minha visão de artista é como a de qualquer outro, pessoal e subjetiva. O bom da arte é que não se pode questionar ou criticar, pois significa sempre alguma coisa para alguma pessoa. Pretendemos expressar um pouco da nossa personalidade, do nosso subconsciente. No fim, utilizamos a arte para refletir uma parte de nós. A obra que compus reflete mesmo isso», descreveu esta estudante de artes na Escola Secundária Dr. Francisco Fernandes Lopes, em Olhão.
Valeria Chirica, 17 anos, de Portimão, desenhou o «Terror Inesperado» que apanhou desprevenido o mago Harry Potter, com pastel seco, canetas pretas, lápis de cor, marcadores cópia e tinta acrílica. «Ser artista é criar, inovar e ultrapassar qualquer obstáculo. O meu objetivo como artista é marcar a diferença através da igualdade, despertar sentimentos novos com coisas que já foram vistas e criadas. Utilizar as experiências humanas de forma a alterar consciências. Criar para informar, informar para despertar o ser humano», escreveu esta aluna de artes da Escola Secundária Poeta António Aleixo.
Para já, a mostra ficará patente em Lagos, até 5 de março, antes de começar uma itinerância pela região. Assim, esta mostra irá depois para a Casa Manuel Teixeira Gomes Portimão, de 10 a 16 de março, seguindo-se o evento «Art meets Jazz & Wine», na Quinta dos Vales, Estômbar, a 18 de março. Será ainda exibida na Galeria Municipal João Bailote, em Albufeira, de 24 de março a 2 de abril, e, por fim, no IPDJ de Faro, de 4 a 18 de abril.
«Temos também de agradecer a todos estes parceiros que nos cederam os espaços. Sem eles, não seria possível dar a merecida visibilidade à arte destes jovens algarvios», sublinhou Isobel Costa.
O concurso culmina com uma gala final, no Conrad Algarve, na Quinta do Lago, na tarde de 13 de maio, durante a qual, os 20 quadros serão leiloados.
Metade do dinheiro angariado reverterá para os autores e a outra metade será entregue à APEXA – Instituição Particular de Solidariedade Social, em homenagem ao trabalho que presta a pessoas com deficiência no âmbito da arte e desporto.
«Quero terminar com uma palavra para os jovens que não viram os seus trabalhos selecionados. Nunca desistam e, para o ano, voltem a participar no concurso», que segundo Isobel Costa, está no Algarve para ficar.